Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Pôr-do-Sol

pordosol

Tens a liberdade que foi minha,
Tens a canção e o gesto acertado,
Tens o tempo e a opção.
Vives cada passada
Como quem caminha
Em estrada de ilusão.

E sorris ao perigo
E ao desafio.
Tentas sem risco
Nem cálculo,
E corres desenfreado como o rio
Que sabe onde fica o mar.

E tens o amor
Em passadeira estendido.
Tens essa ousadia,
E esse fulgor
De quem não vive arrependido.

Não contas os dias,
Não precisas do tempo,
Não queres o exemplo,
Com que me desafias…

E vives.
E desvives-me os conceitos
E as emoções.
Despregas-me as mãos da Cruz
E lambes-me os rasgões
Na carne
Como se pudesses…
Como se nada mais fizesses…

É já o Sol a por-se.
É já o declínio do dia,
Uma luz amarga e fugidia
Pinta as tardes.
E esse fogo que ardes
E foi em tempos meu
Deixou-me e morreu.

jpv


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Índica Paisagem

chongoene-mpmi

Um espetáculo de luz,
Uma emoção que conduz.
Uma ave que corta o ar.
E o mar!

Uma brisa suave,
Uma suave aragem.
Uma casinha na encosta
A desenhar a paisagem.

O poderoso Índico ao pés,
Uma baleia imensa a emergir,
E no centro do que és,
Um frémito mudo de sentir.

Uma glória e uma esperança.
Um olhar que não cansa.
Toma-te a paz dos tempos
De frente para o mar
Que ruge e dança.

És maior que o Mundo
À proa dos sentimentos.
Enfrentas chuvas e ventos
E sentes a alma saciada.

Aqui,
Comandas o mar e a vida
Debruçado n’amurada.

Ó Tempo infinito!
Ó Senhor do Universo!
Tirai-me do peito este grito
Que não cabe em tão singelo verso.

jpv


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Discussões para quê?

É isto…
Tudo o que for além da fruição de um poema belíssimo, de uma melodia maravilhosa e de um conjunto estético de suprema qualidade, é tempo perdido, palavreado excessivo e desnecessário.

Portugal, país de poetas, de músicos, de melodias maravilhosas…


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Leituras

tres-homens-num-barco

Uma amiga do coração perguntou-me recentemente o que andava a ler. Não podia ser mais honesto. Falei-lhe do livro que me tem devorado os minutos dos últimos serões. “Três Homens num Barco” de Jerome K. Jerome é um texto divertidíssimo, capaz de animar qualquer espírito e é, sobretudo, uma esplêndida sátira social. O autor é também o narrador e uma das personagens centrais da ação: uma viagem de barco empreendida por três amigos burgueses que, fartos de fazer nada, decidem ir fazer um pouco mais de nada para o Tamisa dentro de um barco…

Se puderem, depois de terminarem “A Paixão de Madalena”, comprem este, peçam emprestado, façam como quiserem, mas não deixem de ler!

jpv


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2017

2017

Não há resoluções de ano novo. Esperanças ténues, talvez. Dessas que nos entusiasmam devagarinho, como quem desconfia. Publicar outro romance… terminar mais um… amar sem restrições e comer com elas enquanto me lembrar de que sou mortal.

Não quero muito, não peço muito. Tudo basta-me. Estou cada vez mais convencido de que sem mim não existe mundo, nem céu, nem terra, nem mar, nem livros a folhear, nem golos no último minuto, nem corpos a desbravar, nem conversas a incendiar. E não é um pensamento egotista, assim como quem se arroga a dar sentido à existência das coisas. É mesmo a simples e humilde constatação de que a minha existência dá vida ao cosmos… para mim! Mais do que isto é ir pelas certezas divinas e transmateriais da alma em espaços paralelos. Creio em Deus Todo-o-Poderoso? Claro. E pratico. Mas até Deus morre para mim no momento em que partir. Ou ficar.

Não há resoluções de ano novo. Exceto uma. Ainda mais escrita de caneta a roçar no papel, quase a rasgá-lo de emoção e cafés quentes na mão e cada vez menos digital. Cá virei para vos mostrar o que nasceu do namoro entre a caneta e o papel. Mas não me peçam “Gostos” e “Adoros” e polémicas acesas acerca de coisa nenhuma. Não é nada convosco. Sois espetaculares. Tendes uma paciência de santo… É só que preciso de mim um poucochinho mais… e estou cansado… preciso de menos urgências e mais paciências. Menos causas e mais atos. Preciso reunir-me e reencontrar-me. E publicar um romance e terminar o outro.

E depois… depois tenho um filho a ser homem e vê-lo crescer dá muito trabalho e leva muito tempo. Um neto é que era. Mas, para resolução de ano novo, falta-me em capacidade do que quer que seja o que me sobra em ânsias e desejos… um neto é que era… O miúdo voou. Foi ter vida e fazer coisas e conquistar mundos e amar e desamar e… eu, que lhe dei as asas, fico aqui, perdido, com pena de o ver voar. E nem sei porquê. Porque me faz falta. Sempre fez…

A minha mãe… a minha mãe que, sem saber se poderia cumprir a promessa, um dia me prometeu que não me deixaria ir à tropa, é que tinha razão. A dizer-me que eu daria as suas passadas e sofreria de dores como as suas.

E pronto, fica prometido. Mais caneta e odor a papel. Menos digital. E quanto ao resto, seja o que Deus quiser!

Bom ano, amigos!

João Paulo Videira


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Recados para o Meu Amigo Orlando

recados-orlando

Terceiro e Acenante Recado.

Querido amigo, Orlando Meneses,

Como tu bem viste, eu sei que não perdes pitada, as equipas a equipar de encarnado e cujo nome começa por um B, este fim de semana, tiveram sortes semelhantes. Ambas mereciam estar a ganhar por 4 a 0 ao intervalo, mas só na segunda parte se fez justiça e levaram de vencida os seus adversários. Não foi nada fácil porque as equipas pequenas agigantam-se quando jogam contra os primeiros da tabela classificativa.

Meu amigo, o recado de hoje nem é tanto sobre futebol. É para te pedir um conselho. Eu vou viajar de Maputo para Lisboa esta semana, mas não sei bem o que hei de vestir. Será que me podes ajudar? É que ouvi dizer que na capital lusa estavam menos oito graus, parece que o frio é tanto que as pessoas cobrem-se com tudo o que têm à mão, até com lenços brancos!

Amigo, sempre a estimar-te. Não percas os jogos da Primeira Liga Portuguesa. Parece que a luta entre os três primeiros está muito acesa.

Com amizade e consideração,

João Paulo Videira


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Recados para o Meu Amigo Orlando

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Segundo e Picante Recado

Amigo Orlando,

eu bem sei que tu querias que o nosso Benfica ganhasse por muitos, mas a verdade é que aquela pequena equipa que hoje nos visitou fez muito anti-jogo. Se não me engano, foram umas 74 faltas sem que tivesse havido as expulsões que as leis do jogo mandam.

A verdade, meu amigo, é que aquela pequena equipa de verde produz muito, mas concretiza pouco e, sobretudo, tem uma defesa de manteiga. O guarda redes do nosso Glorioso fez toda a diferença porque é o melhor em Portugal e no mundo. E depois, o nosso ataque não vacila.

Enfim, hoje ao jantar comi uns grelinhos macios e fáceis de trincar. Tive de lhes acrescentar uma malagueta mexicana bem encarnadinha para ganharem mais sabor. Só não gostei de um tipo de preto que andava ali pelo meio a cortar as jogadas de ataque do grande Benfica e sorrir para o WC.

Golos bonitos e alarga-se a vantagem pontual. 4 pontos de vantagem sobre o 2º classificado e a seguir já nem sei quem seja o terceiro, isso já é lá muito para o fundo da tabela. Ainda bem que o Jesus na terra fez descansar os pastorinhos na Polónia e se auto-eliminou das competições europeias. Ganhou muito com isso. Muito inteligente o JJ. Ainda bem que mudou de apartamento. A pouco e pouco lá vai conseguindo o mesmo que o ano passado que é perder tudo. Mesmo com as jogadas do costume que é os vouchers e os insultos gratuitos.

Mas pronto, estes já estão, para a semana há mais, mas parece que vamos ter um adversário a sério, o grandioso Estoril.

Olha, meu amigo, não me respondas já. Respira fundo, vai lá contar os penaltis por marcar que devem ter sido mais de vinte mil. É que agora vou dormir que nem um bebé e sonhar com os voos da águia.

Um abraço vermelhão,

João Paulo Videira


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Recados para o Meu Amigo Orlando

recados-orlando

Primeiro e Inaugural Recado.

O meu amigo Orlando Meneses pensa que é sportinguista, diz que é sportinguista, fala com sportinguistas, mas, no fundo, no fundo, é um fervoroso benfiquista dos cinco costados. Caso contrário, como explicaríamos que, em cada dez batidas do seu coração, nove fossem pelo Glorioso? Como se explicaria que todos os seus pensamentos, maus e bons, fossem acerca do Benfica? O meu amigo Orlando Meneses pode não saber, mas ele é um fanático benfiquista. A sua mente está quase sempre virada para o Glorioso. E digo quase porque, como é bom homem e um excelente avô, de vez em quando pensa nos netos!

O meu amigo Orlando Meneses é um brincalhão, gosta de metáforas e ambiguidades e palavras matreiras que dizem sem referir, que sugerem sem dizer, que insinuam sem anunciar… e meteu-se comigo.

E eu que sempre andei ali no politicamente correto, na justiça da análise, na busca da honestidade e da verdade, passava a vida a levar bicadas e apertões no nariz. Ai é?! Pois agora, meu amigo, chegou a hora de partir a loiça toda!

Eu bem sei que hoje estavas à espera que eu me refugiasse no aconchego dos lençóis e não viesse às redes sociais por causa da pizza napolitana. Estás enganado, foi só acabar de fumar o meu cigarro falso que um falso presidente de uma quase falsa agremiação me emprestou e vim aqui dizer-te que o nosso Benfica está apurado para os oitavos de final da Champions League onde, como o nome indica, só estão campeões.

Olha, amigo Orlando, o sorteio é terça feira. Encontramo-nos lá. Ou a ti, desta vez, não te apetece ir???? Desta vez? Huummm… cá para mim não sabes o caminho para a sala de sorteios…

A pizza hoje foi um bocadinho indigesta, mas no fim de semana já comemos coisas mais leves. Verdurinha!

Sempre a estimar-te,

João Paulo Videira