Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."

Curtas do Metro – Assim Não Dá

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Assim Não Dá

O Cais do Sodré é uma estação terminal. Querendo isto dizer que qualquer composição que ali chegue não vai mais para a frente porque não há mais para onde ir, logo, a malta tem de obrigatoriamente sair. A história que a seguir se conta só faz sentido à luz desse pressuposto!

8:50 de um dia de trabalho. o Metro chega ao Cais do Sodré. À medida que abranda a marcha, as pessoas dirigem-se para as portas de saída. Quando pára, a maioria dos passageiros está aglomerada junto às portas. Ao contrário do que costuma acontecer, do que é suposto acontecer e do que tem mesmo de acontecer, as portas não abrem. As pessoas fazem um compasso de espera. Olham-se com aquele ar condescendente do género “Neste país funciona tudo mal porque é que isto havia de funcionar bem”. Cria-se uma certa expectativa. E estamos neste silêncio, com as portas fechadas, quando uma voz feminina, doce e suave, anuncia gentilemente no sistema de som da composição:
Cais do Sodré. Estação terminal. Pede-se aos senhores passageiros o favor de saírem do comboio.
Um senhor de cabelo branco e pouca paciência respondeu à sensual gravação como se ela pudesse ouvir:
– Já saía, já…
A menina da gravação respondeu-lhe como se ele não tivesse ouvido bem:
Cais do Sodré. Estação terminal. Pede-se aos senhores passageiros o favor de saírem do comboio.
O homem exasperou. Então estavam a mandá-lo sair e não lhe abriam a porta e voltou a responder à gravação gentil:
-Se me abrires a porta…
Não há mal que sempre dure, nem bem que não se acabe. As portas acabaram por abrir-se e, já íamos na plataforma a caminho das escadas, quando voltámos a ouvir:
Cais do Sodré. Estação terminal. Pede-se aos senhores passageiros o favor de saírem do comboio.
– Se te calasses…

jpv

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Autor: mailsparaaminhairma

Desenho ilusões com palavras. Sinto com palavras. Expresso com palavras. Escrevo. Sempre. O resto, ou é amor, ou é a vida a consumir-me! Há tão poucas coisas que valem a pena um momento de vida. Há tão poucas coisas por que morrer. Algumas pessoas. Outras tantas paixões. Umas quantas ilusões. E a escrita. Sempre as palavras... jpvideira https://mailsparaaminhairma.wordpress.com

Este é um blogue de fruição do texto. De partilha. De crítica construtiva. Nessa linha tudo será aceite. A má disposição e a predisposição para destruir, por favor, deixe do lado de fora da porta.

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