Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."

A Escola de Amar

3 comentários

A Escola de Amar

Tempos houve
Em que a minha pele era lisa.
Tempos houve
Em que a minha voz era cristalina.
E foi nesses tempos
Que meu corpo parecia
Tocado pela graça divina.
Tempos houve
Em que era perfeita a visão
E me não falhava o olfacto.
Tempos houve
Em que tinha a exacta dimensão
Traçada do mundo pelo meu tacto.

E houve tempos
Em que fui pleno.
Em que possuí
O momento sereno
De ter-te entre
Os meus braços.
Foi no tempo
Dos dias escassos
Para tanta vida,
Para tanto amor.
Foi no tempo
Da insensibilidade
Ao frio e ao calor.

Eu sei que passaram os dias
E os meses
E os anos com eles.
Eu sei que me nasceram estrias
E se me enrugaram as peles.
E sei também,
Com essa natural
E empírica ciência,
Que não há no mundo equivalência
Para o que sou capaz de amar,
Para a minha inesgotável experiência
Deste caminho
A que chamam vida.
Deste amor e deste carinho,
Desta entrega,
Deste sal e deste vinho,
Desta tentativa de não acabar sozinho…
De não morrer…

E sei que,
Para o tempo que me resta,
A solução
E o segredo
É aprender!
É limar a aresta da vida,
A linha incerta e indefinida
Da minha existência.
Para tão grandiosa vida,
É tão pouca a ciência
Que me diz
E me vem sussurrar:
A longevidade,
E o segredo da vida
Resumem-se a AMAR.

jpv

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Autor: mailsparaaminhairma

Desenho ilusões com palavras. Sinto com palavras. Expresso com palavras. Escrevo. Sempre. O resto, ou é amor, ou é a vida a consumir-me! Há tão poucas coisas que valem a pena um momento de vida. Há tão poucas coisas por que morrer. Algumas pessoas. Outras tantas paixões. Umas quantas ilusões. E a escrita. Sempre as palavras... jpvideira https://mailsparaaminhairma.wordpress.com

3 thoughts on “A Escola de Amar

  1. Você me fez lembra Olavo Bilac:

    Nel mezzo del camin…

    Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
    E triste, e triste e fatigado eu vinha.
    Tinhas a alma de sonhos povoada,
    E a alma de sonhos povoada eu tinha…

    E paramos de súbito na estrada
    Da vida: longos anos, presa à minha
    A tua mão, a vista deslumbrada
    Tive da luz que teu olhar continha.

    Hoje, segues de novo… Na partida
    Nem o pranto os teus olhos umedece,
    Nem te comove a dor da despedida.

    E eu, solitário, volto a face, e tremo,
    Vendo o teu vulto que desaparece
    Na extrema curva do caminho extremo.

    (Poesias, Sarças de fogo, 1888.)

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  2. Olá jpv, um belo texto poético, sem dúvida!
    Conforme as pessoas se vão aproximando da velhice vão erguendo bandeiras de auto afirmação para que ninguém as menospreze pela idade que têm. Já vi bandeiras de orgulho da época em que viveram, dos bons costumes que praticaram,do sucesso que tiveram, da força com que lutaram mas, para mim as duas maiores bandeiras que já vi erguidas foram sem dúvida a bandeira da experiência, que vai aumentando com a idade e a bandeira do amor que vai mudando de cor e de forma com o passar dos anos mas nunca deve ser colocada a meia haste. Acredito que é mais feliz quem mais ama e que o facto de amar e ser amado pode contribuir para a longevidade e para a qualidade de vida.
    Bjs, Fernanda

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