Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."

Via Crucis – Décima Quarta Estação

1 Comentário

XIV – Décima Quarta Estação

Jesus é Sepultado

Seria só um corpo sobre uma laje
Envergando exíguo traje,
Não fosse o corpo do meu sofrimento,
A casa da minha alma
Neste breve momento,
Nesta doce passagem.
Já o vivi,
Já o sofri,
Já o despi.
Já não sou eu.
Olho-o de fora
E vejo pouco de meu.
A carne é uma ilusão,
O corpo é uma prisão,
Mas é com ele que se espera
E é com ele que se ama.
O corpo é pouco,
Mas é o corpo
Que dá forma à alma.

Bastou o espírito
E o Divino desejo
Para que se conseguisse
O ensejo
De rolar a pedra.
A única pedra que conta
Vive na nossa cabeça.
Não há pedra que impeça
A liberdade da mente,
Aquela que ilumina a gente
Quando a escuridão se abate.

É preciso ser visto por uma mulher
Antes de voltar a correr mundo.
A mulher tem o olhar fecundo
E a alma prenhe de liberdade.
É preciso alguém que acredite
E saia a correr
Contando ao povo
Que viu o Homem Novo.
E é preciso, depois,
Que se grave pela escrita
A notícia bonita
Do mundo limpo
do pecado.
E é preciso, ainda,
Quem ouvir
Esta história linda,
Conheça também
O mundo conspurcado.

O que é a luz
Sem a escuridão?
O que é o conhecimento
Sem a ignorância?
A vida
Sem a morte?
O rumo
Sem a errância?
O que é o filho
Sem o Pai?
O verbo
Sem o sentido?
Ninguém sabe para onde vai
Se antes não estiver perdido.

É preciso o sangue
E o suor
Para que se perceba
Melhor
O poder da redenção
Pelo Amor.

Perdei-vos, humanos,
Perdei-vos.
Sacrificai-vos,
Castigai a carne
E a mente.
Amai-vos uns aos outros
E pecai.
Experimentai
Todas as coisas da vida.
Correi os riscos todos,
Aceitai cada mão estendida.
Enfrentai todos os perigos
Com humildade
E altivez
Que é ténue e breve,
A estrada,
E só se percorre uma vez.

Não temais a morte.
É só um sopro,
Um breve instante.
Fazei da vida
A vossa constante
E sorvei cada momento.

Voai!
Navegai!
Correi!
E amai de novo.
E pecai de novo.
Eu hei de voltar!

Não negueis a tortura
Que só ela
Vos pode mostrar
Da vida, a doçura.
Tudo o resto se resume
A uma laje cobrindo
Uma sepultura.

E escrevei!
Gravai o que vos digo.
E quando a dúvida,
Na boca do viajante,
Vos perguntar
Quem vos ensinou isto,
Respondei
Com Fé e Esperança nas palavras
Que foi Vosso Senhor Jesus Cristo.
Condenado à morte.
Entregue à minha funesta sorte.
Já nascido,
Preparado, já,
Para a caminhada.
O pó nos pés,
Pela frente,
A imensa estrada…
jpv – Via Crucis – XIV

Termina aqui o projeto
Via Crucis. Um agradecimento
a todos os que foram enviando
mensagens de motivação.
jpv

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Autor: mailsparaaminhairma

Desenho ilusões com palavras. Sinto com palavras. Expresso com palavras. Escrevo. Sempre. O resto, ou é amor, ou é a vida a consumir-me! Há tão poucas coisas que valem a pena um momento de vida. Há tão poucas coisas por que morrer. Algumas pessoas. Outras tantas paixões. Umas quantas ilusões. E a escrita. Sempre as palavras... jpvideira https://mailsparaaminhairma.wordpress.com

One thought on “Via Crucis – Décima Quarta Estação

  1. Foi uma série muito diferente do que leio habitualmente neste blogue. Diferente, mas não menos bela. Começou de maneira difícil, como uma dor lancinante, mas terminou pela doçura, comunicando esperança. Gostei muito!

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