Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."

Vermelho Direto – Je Suis Sagres

Deixe um comentário

Diapositivo1

Vermelho Direto – Je Suis Sagres

Era o que mais faltava. Censura a partir de um clube de futebol.
Toda a gente sabe que sou benfiquista e toda a gente sabe que, quando entendo, zurzo no Benfica. Tenho esse direito. O direito de me expressar. De zurzir em quem me apetece, de dizer o que me apetece dentro das regras do exercício da liberdade, de brincar, de criticar, de gozar e de aceitar com respeito as opiniões dos outros. E zurzo nos adversários do Benfica quando me apetece e a propósito do que me apetece. É só a minha opinião. Não peço a ninguém que concorde comigo, só que respeitem o que penso da mesma forma que respeito os outros.

Para mim, o Rui Patrício sempre foi uma mau guarda-redes, muito inseguro, sobretudo quando a pressão aumenta. Viu-se isso inúmeras vezes ao serviço da Seleção Nacional. No jogo do Sporting contra o Belenenses foi protagonista de duas jogadas caricatas e ridículas, próprias de um tipo que treme como varas verdes quando é precisa fibra.

E a Sagres fez um vídeo, onde nem sequer se vê o guarda-redes do Sporting, a brincar com as trapalhadas que ele fez no estádio do Restelo. Trata-de de alguém a preparar um frango no forno enquanto o jogo evolui e termina com um slogan do tipo Frango à Rui Patrício servido no Restelo.

O presidente do Sporting apressou-se a defender o seu jogador, o que é normal. O que já não é normal é exigir pedidos de desculpas e ameaçar com processos e exercer pressões para que o vídeo saísse de circulação. E saiu. A Sagres retirou o vídeo e pediu desculpas ao jogador. Ou seja, a pressão exercida por Bruno de Carvalho calou a opinião da Sagres, o seu direito a brincar e a gozar com uma situação caricata. A meu ver a Sagres errou. Mas não foi quando publicou o vídeo, foi quando o retirou da web.

Bruno de Carvalho agiu como os extremistas islâmicos: calou aqueles com que não concordava. Felizmente diferiu nos processos e nos meios, felizmente, a proporção do crime não é, nem de perto, a mesma. Mas o crime é o mesmo. O de silenciar aqueles com que não concordamos.

Eu não concordo nem um bocadinho com a linha editorial do “Charlie”, respeito mais os meus amigos islâmicos do que alguma vez respeitarei o semanário francês, mas também fui “Charlie” porque a liberdade de expressão é um pilar da vida social e da democracia. Fui “Charlie” porque não se pode matar em nome de nada, não se pode silenciar os outros só porque não se concorda com eles.

E é por isso que agora sou Sagres. Qualquer pessoa tem o direito de pensar e de expressar a sua opinião acerca da prestação de um jogador de futebol. E a brincar com isso. Ou de um político. Ou de um médico. Ou de um advogado. Ou de um empresário. Ou de um jornalista. Eu sou Sagres porque o que a Sagres fez foi uma brincadeira inofensiva que, naturalmente, incomoda os sportinguistas, mas amanhã poderá ser sobre outros. Ainda me lembro o que gozavam com o SLB quando tivemos como guarda-redes aquele espanhol alto e frangueiro. E também me lembro o que gozaram com o Nuno Espírito Santo quando, ao serviço do Porto, deixou entrar um monumental frango na final da Taça da Liga contra o Benfica. Não me lembro, nem do Benfica, nem do Porto, se terem armado em Prima Donna ofendida. O senhor Bruno de Carvalho há muito que perdeu o controlo do clube que dirige e a noção da realidade. É um homem perdido, à deriva, patético. E depois age desesperadamente tentando provar que é líder quando toda a gente, incluindo muitos sportinguistas, se envergonham com as figuras que ele faz. Mas conseguiu calar uma brincadeira. Conseguiu censurar. Conseguiu matar a liberdade de expressão de uma instituição. O senhor Bruno de Carvalho pode ser presidente do Sporting, mas não pode ser censor de coisa nenhuma.

Eu sou Sagres! E o Rui Patrício é um frangueiro!

Tenho dito!
jpv

Anúncios

Autor: mailsparaaminhairma

Desenho ilusões com palavras. Sinto com palavras. Expresso com palavras. Escrevo. Sempre. O resto, ou é amor, ou é a vida a consumir-me! Há tão poucas coisas que valem a pena um momento de vida. Há tão poucas coisas por que morrer. Algumas pessoas. Outras tantas paixões. Umas quantas ilusões. E a escrita. Sempre as palavras... jpvideira https://mailsparaaminhairma.wordpress.com

Este é um blogue de fruição do texto. De partilha. De crítica construtiva. Nessa linha tudo será aceite. A má disposição e a predisposição para destruir, por favor, deixe do lado de fora da porta.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s