Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."

De Rerum Natura

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Sempre fui um tipo pacato. Já em criança cresci como um miúdo sereno. Sempre fui organizado, diligente e voluntarioso. E era mais duas coisas: Inteligente e ingénuo. Acho que era inteligente porque me diziam. A vida ensinou-me que era ingénuo. Estas caraterísticas foram fazendo de mim um homem exigente consigo próprio e com os outros. E foram, ao longo dos anos, tornando-me um pouco intolerante para com a ignorância e a incompetência. Ora, apesar de ser simpático e afável, à medida que fui ficando mais velho e assumindo mais responsabilidades, o meu gosto pelo rigor e pelas coisas bem feitas, ao contrário do que eu esperaria, não me trouxe facilidades nem amigos.

Percebi, com o tempo, que a maioria das pessoas que diz ser frontal ou gostar da frontalidade, nem é, nem gosta.

Claro que aprendi a fazer compromissos e muitas vezes a calar o que penso. Mas a frontalidade é uma espécie de segunda pele, um tipo de dignidade com que se trata os outros e de que se não deve abdicar. Arrependo-me pouco, mas se há momentos em que me arrependo de alguma coisa, foi de não ter dito ou feito algo clara e frontalmente.

Hoje fiz 48 anos. Várias centenas de pessoas vieram ao FB felicitar-me. Percebi que algumas o fizeram por ritual digital, o FB lembra e nós fazemos, mas também percebi que muitas pessoas foram genuínas e atenciosas. E isso foi reconfortante. Cometi a insanidade de tentar responder individualmente a cada um de vós. Espero ter conseguido!

E pronto, esta foi a minha retorcida forma de vos agradecer a todos por me terem dedicado algum do vosso tempo e atenção. Da vossa generosidade. De vos dizer que o meu dia foi mais especial graças às vossas palavras, laiques, flores, beijos e abraços.

Todos aqueles que não se esquecem de nós pertencem à comunidade dos nossos afetos, roubam-nos à definitiva morte do esquecimento e constituem uma constelação de emoções a que chamamos vida.

MUITO OBRIGADO!

João Paulo Videira
Texto publicado no Facebook no dia 4 de outubro de 2015.

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Autor: mailsparaaminhairma

Desenho ilusões com palavras. Sinto com palavras. Expresso com palavras. Escrevo. Sempre. O resto, ou é amor, ou é a vida a consumir-me! Há tão poucas coisas que valem a pena um momento de vida. Há tão poucas coisas por que morrer. Algumas pessoas. Outras tantas paixões. Umas quantas ilusões. E a escrita. Sempre as palavras... jpvideira https://mailsparaaminhairma.wordpress.com

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