Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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2017

2017

Não há resoluções de ano novo. Esperanças ténues, talvez. Dessas que nos entusiasmam devagarinho, como quem desconfia. Publicar outro romance… terminar mais um… amar sem restrições e comer com elas enquanto me lembrar de que sou mortal.

Não quero muito, não peço muito. Tudo basta-me. Estou cada vez mais convencido de que sem mim não existe mundo, nem céu, nem terra, nem mar, nem livros a folhear, nem golos no último minuto, nem corpos a desbravar, nem conversas a incendiar. E não é um pensamento egotista, assim como quem se arroga a dar sentido à existência das coisas. É mesmo a simples e humilde constatação de que a minha existência dá vida ao cosmos… para mim! Mais do que isto é ir pelas certezas divinas e transmateriais da alma em espaços paralelos. Creio em Deus Todo-o-Poderoso? Claro. E pratico. Mas até Deus morre para mim no momento em que partir. Ou ficar.

Não há resoluções de ano novo. Exceto uma. Ainda mais escrita de caneta a roçar no papel, quase a rasgá-lo de emoção e cafés quentes na mão e cada vez menos digital. Cá virei para vos mostrar o que nasceu do namoro entre a caneta e o papel. Mas não me peçam “Gostos” e “Adoros” e polémicas acesas acerca de coisa nenhuma. Não é nada convosco. Sois espetaculares. Tendes uma paciência de santo… É só que preciso de mim um poucochinho mais… e estou cansado… preciso de menos urgências e mais paciências. Menos causas e mais atos. Preciso reunir-me e reencontrar-me. E publicar um romance e terminar o outro.

E depois… depois tenho um filho a ser homem e vê-lo crescer dá muito trabalho e leva muito tempo. Um neto é que era. Mas, para resolução de ano novo, falta-me em capacidade do que quer que seja o que me sobra em ânsias e desejos… um neto é que era… O miúdo voou. Foi ter vida e fazer coisas e conquistar mundos e amar e desamar e… eu, que lhe dei as asas, fico aqui, perdido, com pena de o ver voar. E nem sei porquê. Porque me faz falta. Sempre fez…

A minha mãe… a minha mãe que, sem saber se poderia cumprir a promessa, um dia me prometeu que não me deixaria ir à tropa, é que tinha razão. A dizer-me que eu daria as suas passadas e sofreria de dores como as suas.

E pronto, fica prometido. Mais caneta e odor a papel. Menos digital. E quanto ao resto, seja o que Deus quiser!

Bom ano, amigos!

João Paulo Videira


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Livro da Coragem – 21

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Bolinhos, bolinhós…

Não tenho nada contra o “Haloween”. Nem a favor. Não me diz nada. Culturalmente, pertence a outras geografias e na minha família nunca teve qualquer espécie de relevo.

Já o Dia de Todos os Santos é toda uma memória. Pela manhã, bem cedo, a azáfama de preparar o farnel, o carvão, fogareiro, o abano, bebidas para adultos e miúdos, um frasquinho com sal e outro com açúcar, a cafeteira do café, os guardanapos, as colherzinhas, as mantas para colocar no chão, a cadeira articulada do meu pai, os panos da loiça, a toalha de mesa e uma mesinha pequenina cujas pernas se dobravam. Romaria ao cemitério da Conchada a comprar as flores e a acompanhar a Mimi que visitava os defuntos todos. Os dela e os dos vizinhos. Na altura, eu não tinha defuntos. Aprendi os rituais. Depois das orações e do passeio silencioso pelo jardim dos mortos, enfiávamo-nos todos na 4L do meu pai e lá íamos a caminho de Santa Quitéria, ali para os lados de Pombeiro da Beira. À chegada, era ver as gentes montanha acima e montanha abaixo espalhadas, acendendo lumes, oferecendo do seu vinho a provar, as famílias trocando abraços. Seguia-se a peregrinação de ir comprar pão, castanhas, uns chouriços, umas morcelas e, claro, as febras. A passagem inevitável pela capelinha da Santa e depois o nosso próprio ritual de acender o lume, a Mimi de volta dele com uns gravetos que eu e a minha irmã tínhamos ido apanhar pelo pinhal, e a dar-lhe com o abano, a minha mãe temperava a carne e o meu pai sorvia aqueles momentos como se soubesse que nos deixaria neste mundo antes de todos os outros e quisesse aproveitar cada segundo. Comíamos e bebíamos, conversávamos e depois procurávamos um poiso para olhar o céu por entre as ramagens dos pinheiros enquanto os adultos dormiam a sesta.

Aqui onde vivo não é feriado. É um dia de trabalho normal. E isso magoa-me, como me magoou a suspensão desse feriado nos últimos anos. É que, agora, infelizmente e porque o Senhor Tempo não para, já tenho defuntos. A Mimi, velhinha, de cancro, o meu querido pai, que tanta falta me faz a cada segundo que passa, aos 65, do coração, a minha avó Ana, do pâncreas, o meu avô Velez, de cansaço, a minha avó Letícia e o meu avô Francisco, tanto quanto sei, de velhice… e tantos outros que me povoaram a infância… estes são os meus Santinhos, as almas por que rezarei amanhã. Não é uma coisa que se resuma à religiosidade do dia. É a tradição de manter a família unida, vivos e mortos, num só ritual. É uma evocação dos tempos em que fui mais feliz porque, nesses dias, havia toda uma vida a viver, e tudo era duradouro e seguro e eterno. E todas as minhas decisões eram claras e óbvias e todos os meus gestos eram simples e imaculados.

Amanhã, para mim, não é o “Halloween”, empréstimo de outras gentes. Amanhã, é Dia de Todos os Santos e hoje é a noite de sair por aí tocando e batendo às portas, “Bolinhos, bolinhós, para mim e para vós…”

jpv


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Volta ao Mundo

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Uma palavra que seja.
Uma palavra para que se veja.
Uma palavra é como ter-te aqui.
Uma palavra é o princípio de todas as coisas.
E é o fim.

A tua voz embala destinos.
A tua voz são infinitos caminhos.
A tua voz é a grandeza de sentir-se pequeno.
A tua voz inaugura um homem e funda uma nação.
De esperança.

A distância que nos une
É maior e mais grande que este tapete que faço e desfaço.
Vive no fulgor de um abraço, na doçura do teu olhar.
A distância que nos une
É a exata forma do querer e do amar.

Procurei-te onde não estavas.
Corri montes e cabeços.
Ao sol, à chuva e ao vento.
Indiferente à desilusão e ao tempo.
E encontrei-te no lugar pequeno de meu coração.

Para ir tão longe…
Não era preciso dar a volta ao mundo da ilusão.

jpv


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Duas Estrofes de Pecado

Duas estrofes de pecado

Duas Estrofes de Pecado

O pecado tem um sorriso
Que encanta
Quando é olhado.
Etéreo e impreciso,
Nasce no teu rosto
O sorriso do pecado.

E dou voltas à mente
Procurando esquecer a tentação.
Meu coração não sabe o que sente
E peca mesmo sem razão.

jpv
(Foto gentilmente cedida por Ruth Kissa)


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MPMI – Uma Nova Era

Mails para a minha Irmã

Caros Amigos e Leitores,

Sejam muito bem-vindos à nova casa de MPMI, a uma nova era na vida do Blogue do Costume!

Por altura do 5º aniversário de Mails para a minha Irmã – 12 de Maio – decidimos operar uma mudança de servidor e uma mudança radical no visual. Alguns problemas técnicos com o servidor anterior e 5 anos da mesma imagem levaram-nos à mudança.

Por outro lado, tentámos manter o mesmo tipo de esquema funcional, ou seja, textos à esquerda do leitor e índices à direita. O que está bem, está bem!

O índice central terá a indexação de toda a produção escrita publicada em MPMI desde que foi criado. É isso, não perdemos NENHUM conteúdo.

Está por categorias: Destaques; Crónicas; Contos; Romances; Poesia. Sim, vão até à poesia porque, dizem, vale a pena!

O índice mais à direita é dedicado a funcionalidades multimédia, à interação e às redes sociais.

Se assim o entenderem, podem fazer a simpatia de se tornarem nossos seguidores. Isso aumenta a frequência e a visibilidade de MPMI. Ou seja, a família cresce!

E para já é tudo. A próxima publicação segue dentro de momentos!

Boas Leituras!
jpv


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Manutenção

MANUTENÇÃO
 
Caros Amigos,
 
Os deuses da informática revoltaram-se connosco e desformataram “Mails para a minha Irmã” de forma irreversível.
 
Assim, nos próximos dias estaremos em manutenção pelo que poderão notar mudanças de aspeto e configuração.
 
Entre mudar radicalmente o visual ou manter o atual com algumas alterações, tudo pode acontecer.
 
Se quiserem, opinem!
 
Entretanto, as publicações continuam!
 
jpv


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Corpo sem Sonho nem Quimera

(Imagem jpv)

Corpo sem Sonho nem Quimera

Rasgo o pulso do tempo.
Procuro a cada hora
Encontrar o que está por fora
De um único e irrepetível momento.

Amo o vento
E o frio
Rasgando-me a carne.
Amo o suor e a dor,
O lazer e o labor,
A luz do fogo
Enquanto arde.

Amo quem parte
Como quem fica.
Amo o homem que ordena
E o que suplica.
Amo hoje o dia que passa
E amanhã o que passou.
Amo e odeio
O homem que me prendeu
E a vertigem que me libertou.

Não sei quem seja.
Nem ateu,
Nem homem de igreja.
Nem bêbado cambaleando,
Nem sóbrio sem emoção.
Sou uma triste e alegre visão
De mim.
Um rio sem fim,
Correndo para o mar,
Uma gaivota cortando o ar,
Uma mão afagando um púbis,
Um poeta esgazeado
E perplexo.
Um entumescido
E laborioso sexo,
Uma carícia dolente
E dedicada.
Uma procura solitária
E desesperada.

E há essa impossibilidade.
Essa mordaça
Na voz e no peito
Que me tolhe a vontade
E desconcerta o jeito.
Há essa impotência
Em mim,
De ver-te partir,
E saber
Que não foi o fim.
Há esse grito
Silenciado,
Esse gesto
Pequeno e torturado.
Esse querer e não poder querer-te.
Me.

Não sei já do sangue
Nem da palavra.
Não me lembro do teu toque
Nem da tua voz.
O pouco que resta de ti
Habita em nós
E perde-se
A cada gesto desenhado,
A cada braço estendido,
A cada mão aberta,
A cada corpo amparado.

A vida…
A vida não existe.
É mera sombra,
Fractal impreciso,
Puta cansada e triste
Rejeitando uma voz que insiste…
E entrega-lhe o corpo,
Esvazia a alma,
Abandona a intenção
E perde a memória
Da razão… original.

O tempo não tem pulso
E dentro de cada momento
Não está nada.
A vida,
Se fosse alguma coisa,
Seria uma intenção abandonada.

Afinal,
Não amo nada.
Nada odeio.
Pensei ser o centro e o meio
De tudo.
E quedei-me cego e mudo
Quando finalmente percebi
Que nem pelas palavras
Estou aqui.

Ausência.
Espera.
Corpo sem sonho nem quimera.
Cadáver ofegante
Do homem que desespera.

jpv


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Bom Dia, Lisboa! Isa Lisboa!

Bom dia, Amigos e Leitores!

Isa Lisboa, do blogue “Os dias em que olho o Mundo” terminou a leitura de “De Negro Vestida” e deu-nos a sua opinião!

Está aqui: 
http://diasqueolhoomundo.blogspot.com/2014/03/pelas-paginas-de-de-negro-vestida-joao.html

Nada como visitar o Blogue dela!

Obrigado Isa!




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"De Negro Vestida" Já Disponível nas Livrarias de Maputo (Atualização)


“De Negro Vestida” Já Disponível nas Livrarias de Maputo (Atualização)

Após o lançamento deste romance em Maputo, na Escola Portuguesa de Moçambique, no passado dia 13 de fevereiro de 2014, chegámos a acordo com algumas livrarias de Maputo e já temos o livro disponível nas seguintes livrarias:

Livraria Escolar Editora
Av. 24 de Julho, Edifício Luxor, em frente ao restaurante Mimmos.

Livraria Escolar Editora
Centro Comercial Polana.

Livraria Etc.
Centro Comercial Maputo

Livraria Luar
Centro Comercial Marés, Costa do Sol.

Livraria Mabuko
Avenida Julius Nyerere, junto à Embaixada de Portugal.

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Relembramos, ainda, que, em Portugal e no Brasil, “De Negro Vestida” está disponível nos seguintes pontos físicos e online:

Portugal – Online
(Ligações Diretas para o Livro)


Chiado Editora
FNAC
Wook
Bertrand Online

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Portugal – Livrarias
(Compra Direta)


Livraria Les Enfants Terribles
Cinema Nimas
Av. 5 de Outubro, 42B
1050 Lisboa

Livraria Nun’Álvares
Rua 5 de Outubro, n.º 59
7300-133 Portalegre

Livraria Papelaria 115
Praça 8 de Maio, n.º 29
3000-300 Coimbra

Livraria Branco
Rua Dr. Roque Silveira, n.º 95
5000-630 Vila Real

Livraria Caminho
Rua Pedro Santarém, n.º 41
2000-223 Santarém

Representações Online
Praça do Comércio, n.º 108
4720-337 Ferreiros AMR

Livraria Brinco Livro
Rua Alexandre Herculano, 301
3510-038 Viseu

Livraria Universo
Rua do Concelho, n.º 13
2900-331 Setúbal
  
Livraria de José Alves
Rua da Fábrica, n.º 74
4050-246 Porto

Livraria Esperança
Rua dos Ferreiros, 119
9000-082 Funchal

Nazareth e Filho
Praça do Giraldo, 46
7000-406 Évora

Livraria Graça
Rua da Junqueira, n.º 46
4490-519 Póvoa do Varzim

Aliete S Clara Brito
Avenida 25 de Abril, lote 24 R/C
8500-511 Portimão

Livraria Caravana 
Morada Sede: Av. 25 de Abril, Edf. Vila Flôr 6º 
 8100-596 Loulé 

Livraria Papelaria Meneses                             
Rua da Sobreira, n.º 206 Paços de Brandão
4535- 297 Aveiro     

Pode ainda ser comprado em algumas lojas Continente e na Book It de Torres Novas.

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Portugal – Livrarias
(Compra por Encomenda)

É possível, também, encomendar “De Negro Vestida” em qualquer balcão Fnac, Book It e Bertrand.

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Brasil – Online
(Dentro de Dias)