Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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O Solicitador e a Quase Prostituta

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Histórias a Preto e Branco
O Solicitador e a Quase Prostituta

Era um homem tranquilo e pausado. Nunca se apressava ou corria para coisa alguma porque jamais sacrificaria a compostura a uma pressa. Nunca levantava a voz a ninguém e nunca falava apressadamente. A mãe chamara-se Josefina e o pai Malaquias. Na indecisão do que lhe haveriam de chamar, menos pela urgência do batismo do que pela necessidade de o nomear, acabaram por dividir seus nomes em dois, aproveitaram uma metade de cada nome e registaram-no como Josenias há trinta e quatro anos atrás. Foi à escola com distinção, cresceu, casou e enviuvou. No mesmo dia, perdeu a mulher e o primeiro filho. Recolheu-se à sua solidão e às conversas que, dentro da cabeça, tinha consigo próprio. Josenias era solicitador, mas não sabia. Na sua maneira de ver as coisas, ajudava as pessoas naquilo que precisavam e não sabiam ou não podiam resolver.Com as suas próprias mãos, ergueu uma barraca em blocos e cimento que ele mesmo fez. Rebocou-a. Pintou-a. E escreveu-lhe por fora, em letras azuis de mar em cima do branco da parede, AJUDANTE JOSENIAS, por entender que deve chamar-se ajudante a quem ajuda e não por escassez de outro vocabulário. Abria contas a quem queria abrir contas, levantava dinheiro a quem precisasse, tratava dos pedidos de Bilhete de Identidade, escrevia cartas, preparava escrituras, redigia procurações, representava pessoas em tribunal e tinha já uma rede de contactos que fazia dele um dos homens mais requisitados de Vilankulos. Sempre pausadamente, sempre quase silencioso, parco nas palavras que, sabia, com facilidade atraiçoavam as intenções e as pessoas. vilankulosTrocava as necessárias ao entendimento com os outros e, o resto do tempo, conversava as conversas que tinha de ter consigo próprio e tinha-as, às palavras, pela rédea curta, reclusas em si. Gostava do mar. Normalmente, ao final da tarde, metia-se no carro, percorria a margem da praia imensa, parava a viatura e ia nadar ao lusco-fusco, àquela hora dos silêncios e recolhimentos que protegem as pessoas de perguntas e conversas com terceiros. Sofria a sua dor, alegrava-se suas pequenas alegrias, perguntava-se, respondia-se, cozinhava seu comer e pensava seus pensamentos, acomodava-se a si. E a vida corria previsível e sem sobressaltos. Até ao dia em que a conheceu.

À tardinha, quando acabou de ajudar os últimos necessitados do dia, entrou no carro e foi na praia. Como sempre, percorria essa estrada longa de terra e areia, bordejada de casuarinas seculares que dão sombra quando faz sol e recortam o luar para os turistas fazerem foto, essa estrada que começa junto ao Hotel Dona Ana e vai até lá no Baobab Beach Resort. Ia mais ou menos a meio do percurso quando viu-lhe na beira do caminho. Era uma moça esguia, muito magra, de peito inchado e curva sinuosa na anca. Trazia um vestido vermelho junto ao corpo e acima do joelho. Calçava chinelo e o olhar brilhava naquele sem luz de fim de tarde. Ele olhou-lhe, reparou na figura um tanto bizarra, mas não deu-lhe muita importância. Acontece que, naquele momento, ela olhou-lhe também e ele ficou meio incerto se ela queria-lhe falar. Abrandou a marcha e quando passava por ela parou, baixou o vidro da janela:

–  Desculpe?
– Ué! Está desculpado. Não tem de quê, mesmo.
– Desculpe?
– Ué! Só sabe essa palavra?
– Não, de todo, é que não percebi o que estava dizendo.
– Só disse que não tinha por que pedir desculpa.
– Ah! Percebo. Eu não estava bem pedindo desculpa, só não me apercebi se queria falar comigo pela forma como me olhou.
– Ora, eu só olhei porque você olhou. Pensei até que estivesse solicitando meus serviços.
– Seus serviços?
– Sim, meus serviços!
– E que serviços seriam esses?
– Ué! Não dá para notar?
– Suponho que não.
– Eu sou prostituta!
– Ai é?
– É.
– Não parece…
– Como assim?
– Não tem batom nos lábios…
– Hei de pôr.
– Não tem unha pintada…
– Hei de pintar.
– Não tem mala grande ao ombro…
– Hei de trazer.
– O vestido é demasiado velho…
– Ora, hei de comprar novo.
– Não tem sapato.
– Ish… você complica coisa fácil.
– Faz quanto tempo que você é prostituta?
– Ora, o suficiente.
– Oiça, você sabe o que é uma prostituta?
– Claro! Mulher que dá o corpo em troca de dinheiro.
– Pois… e quantos clientes você já teve?
– Um!
– Um?! E pode saber-se quem foi o bafejado pela sorte e pelos deuses do erotismo?
– Não fala complicado.
– Quem foi esse cliente?
– Você!
– Eu?! Mas eu nunca comprei sexo de você!
– Não comprou, mas vai comprar!
– Mas isso não faz de você uma prostituta.
– Faz pois! Estamos negociando, isso conta, certo?
– Não. Sem transação não há consumação do ato, logo, nem eu sou cliente nem você é prostituta. Quanto muito, quase prostituta.
– Transação?
– Nem você me deu o corpo que, de resto, eu não pedi, nem eu paguei por ele.
– Ora, são quinhentos.
– Quinhentos?
– Sim, quinhentos, é muito?
– Não sei se é muito. Não sei o que estou comprando. Digamos que você me parece uma profissional pouco certificada e experiente. Por exemplo, o que sabe de sexo?
– Tudo!
– Tudo? Como, tudo? Onde aprendeu?
– Ora, nas novelas, nas revistas de meu mano velho. Ele esconde, mas toda a gente sabe onde estão. O pai vai lá buscar páginas para fazer fogo, limpar vidro e outros préstimos. Começou por levar as meninas mais feias, mas essas acabaram e agora usa mesmo as páginas do meio.
– Ou seja, você não sabe nada.
– Da prática! Da teoria sei tudo.
– Olhe, vou-lhe sugerir, você caminha ao lado do carro até ao final da estrada. Entretanto, conversa comigo. No final, eu pago-lhe.
– Porquê fora do carro e não dentro?
– Em primeiro lugar, porque não quero ser visto com uma quase prostituta no carro, em segundo, porque só entrará no carro se merecer.
– Entendi.
– Comecemos pelo mais importante: porquê a prostituição?
– Ora, porque a família está precisando de dinheiro rápido e esse trabalho paga bem.
– Paga bem? Você ainda não ganhou nada!
– Mas vou ganhar.
– Como se chama?
– Fina.
– Apropriado!

Caminharam lado a lado, ele, o carro e ela, por umas duas horas de tempo. Conversaram e desconversaram de tudo o que foi surgindo no caminho das ideias e na estrada das palavras. Por fim, chegou a hora do pagamento.

– Aqui tem. Quinhentos pelo seu tempo.
– Então agora já sou prostituta, certo?
– Creio que não. Sem sexo, sem corpo, não houve prostituição.
– Mas falámos de sexo…
– Mas não fizemos.
– Podemos fazer…
– É prematuro.
– E o que ele tem a ver com isso?
– Ele, quem?
– Prematuro, o filho mais velho da vizinha Olímpia.
– Nada. Prematuro quer dizer que é muito cedo para o sexo…
– Então está a pagar-me de quê?
– Combatente de demónios interiores e matadora de solidões alheias.
– Prostituta!
– Não. Estou a gratificá-la pelo seu tempo.

Durante seis dias consecutivos, Josenias, o solicitador, passou na estrada bordejada de casuarinas longas e seculares e, sem que tivesse combinado rigorosamente nada, encontrou sempre Fina na beira da estrada e conversaram caminhando lado a lado, ele, ela e o carro. Ao sétimo dia, Josenias disse-lhe para entrar na viatura e estranhou:

– Está diferente, você. Batom na boca, unha pintada, vestido lavado, só falta o sapato. Já teve outros clientes?
– Nem podia!
– Como, nem podia?
– Você ocupa todo o meu tempo de prostituição!
– Ai é?
– É. Eu perguntei ao pai o que fazia ma prostituta e ele disse que é uma mulher que atura os homens que as mulheres deles não querem aturar. Fiquei a pensar que sou prostituta. Se você está aqui, não está com ela, se não está com ela, é porque ela não te atura…
– Ela perdeu a vida.
– Perdeu a vida?
– Perdeu. Dando à luz.
– E o bebé?
– Perdeu a vida.
– Perdeu?
– É. Não chegou de ver a tal da luz.

Nesse dia não falaram mais. Quando chegaram no fim da estrada, ele estendeu-lhe a nota dos quinhentos, mas ela recusou:

– A dor não tem preço.

Por mais de um mês, passearam juntos, no carro, ao longo daquele mar de estrada. Josenias deixou de nadar. Saía do trabalho, apanhava Fina sob a mesma casuarina e mergulhava no olhar dela, navegava as emoções que ela fazia explodir no seu peito.

– Fina, desculpe a ousadia, seus seios minoraram.
– Não.
– Sim. Há um par de dias que estão visivelmente mais pequenos.
– Eles estão iguais, eu que deixei de pôr papel.
– Papel?
– Sim. Páginas das revistas do mano velho. Para encher!
– Para encher? E porquê?
– Homem gosta de seio grande.
– Fina! Você não tem homem. Seu único cliente é um solitário que lhe paga para conversar.
– Conversar?
– Sim.
– Me entristece.
– Ora, porquê?
– Preferia ser combatente de demónios e matadora de solidões.
– Você me surpreende, me enternece e, sobretudo, me desconserta.
– E tem conserto?
– Não sei. temo que não.
– Então estraguei-lhe.
– Acho que sim. No bom sentido.
– Tem bom sentido?
– É, acho que sim. Chama-se ternura.
– Você malucou de vez. Eu estrago-lhe e isso se chama ternura? Quando a mãe fica com cabeça grande porque o pai estragou-lhe, a gente vê tacho pelo ar, gritaria, porta a bater, mas não vê ternura.
– Então, talvez eu tenha me expressado mal. Talvez você tenha consertado meu coração e não estragado.

Dois meses mais tarde, Josenias levou Fina na sua casa.

– Ish… você fala bem, mas é só isso mesmo. Sua casa está como sua cabeça, tudo desarrumado. Não lava loiça, não faz cama… não tem dinheiro para empregada? Gasta tudo em prostituta?
– Prostitutas.
– Ai é? E quantas você já teve?
-Uma.
– Viu? Prostituta.

Apanhá-la sob a casuarina passou a ser um hábito, assim como levá-la até sua casa, vê-la fazer o jantar para os dois, comerem juntos, levá-la de volta à estrada e, com o tempo, entregá-la em sua própria casa. Um dia, ela disse-lhe:

– Josenias…
– Sim…
– Não quero mais seu dinheiro.
– E porquê?
– Ora, algo está errado. Sexo, você não quer, mas continua pagando. Eu trato da janta, de sua loiça e até de sua roupa, mas não tenho contrato de doméstica. E não quero.
– Porquê?
– Ora, eu não sou doméstica.
– Prostituta também não.
– Quase prostituta…
– Nem isso…
– Então, sou o quê, Josenias? Matadora de solidões? Isso é lá profissão que se apresente?
– O importante não é a sua profissão, mas o que você representa para mim.
– E o que eu represento para você?
– Uma mulher inteira.
– Inteira? Só pode, não falta nenhum pedaço!
– Uma mulher para ter ao meu lado, matar meus demónios, ouvir minhas conversas sem sentido, ter meus filhos, criá-los…
– Para ter filho é preciso sexo.
– Depois do casamento.
– Casamento?
– Claro!
– E porquê?
– Ora, você não acabou de dizer que não quer mais o meu dinheiro? Se o que você faz não é serviço, só pode ser entrega…

Teve festa de três dias, teve mesa farta, teve um sorriso nos lábios de Josenias no dia em que desposou Fina, a quase prostituta, e teve palavras que ele voltou a deixar entrar na sua vida pela porta da abundância. Continuaram a passear ao final da tarde pela estrada de mar e a conversar e a desconversar com a mesma fluidez de entendimento, desentendimento e emoções claras e límpidas como o Índico a seus pés em hora de maré baixa.

– Fina…
– Josenias…
– Sua hora está chegando e essa criança vai precisar de um nome…
– É menina.
– Como sabe?
– Sei.
– Não sei como sabe, mas aceito. Se for menina…
– É menina!
– Então, o nome…
– Metade de seu nome junto com o meu faz Josefina.
– Josefina era o nome de minha mãe.
– Perfeito, então.
– Não lhe incomoda?
– Josenias… não me complica.

A tarde tinha ido embora. A lua estava pendurada lá no alto, redonda e prenhe, recortada pelos ramos das casuarinas, Fina colocou sua mão na nuca de Josenias que tombou para ela. Então, o solicitador beijou com paixão a quase prostituta e pediu à lua que nunca lha levasse de seu peito.

João Paulo Videira
Chongoene, abril de 2017.


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Pôr-do-Sol

pordosol

Tens a liberdade que foi minha,
Tens a canção e o gesto acertado,
Tens o tempo e a opção.
Vives cada passada
Como quem caminha
Em estrada de ilusão.

E sorris ao perigo
E ao desafio.
Tentas sem risco
Nem cálculo,
E corres desenfreado como o rio
Que sabe onde fica o mar.

E tens o amor
Em passadeira estendido.
Tens essa ousadia,
E esse fulgor
De quem não vive arrependido.

Não contas os dias,
Não precisas do tempo,
Não queres o exemplo,
Com que me desafias…

E vives.
E desvives-me os conceitos
E as emoções.
Despregas-me as mãos da Cruz
E lambes-me os rasgões
Na carne
Como se pudesses…
Como se nada mais fizesses…

É já o Sol a por-se.
É já o declínio do dia,
Uma luz amarga e fugidia
Pinta as tardes.
E esse fogo que ardes
E foi em tempos meu
Deixou-me e morreu.

jpv


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Índica Paisagem

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Um espetáculo de luz,
Uma emoção que conduz.
Uma ave que corta o ar.
E o mar!

Uma brisa suave,
Uma suave aragem.
Uma casinha na encosta
A desenhar a paisagem.

O poderoso Índico ao pés,
Uma baleia imensa a emergir,
E no centro do que és,
Um frémito mudo de sentir.

Uma glória e uma esperança.
Um olhar que não cansa.
Toma-te a paz dos tempos
De frente para o mar
Que ruge e dança.

És maior que o Mundo
À proa dos sentimentos.
Enfrentas chuvas e ventos
E sentes a alma saciada.

Aqui,
Comandas o mar e a vida
Debruçado n’amurada.

Ó Tempo infinito!
Ó Senhor do Universo!
Tirai-me do peito este grito
Que não cabe em tão singelo verso.

jpv


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Discussões para quê?

É isto…
Tudo o que for além da fruição de um poema belíssimo, de uma melodia maravilhosa e de um conjunto estético de suprema qualidade, é tempo perdido, palavreado excessivo e desnecessário.

Portugal, país de poetas, de músicos, de melodias maravilhosas…


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Leituras

tres-homens-num-barco

Uma amiga do coração perguntou-me recentemente o que andava a ler. Não podia ser mais honesto. Falei-lhe do livro que me tem devorado os minutos dos últimos serões. “Três Homens num Barco” de Jerome K. Jerome é um texto divertidíssimo, capaz de animar qualquer espírito e é, sobretudo, uma esplêndida sátira social. O autor é também o narrador e uma das personagens centrais da ação: uma viagem de barco empreendida por três amigos burgueses que, fartos de fazer nada, decidem ir fazer um pouco mais de nada para o Tamisa dentro de um barco…

Se puderem, depois de terminarem “A Paixão de Madalena”, comprem este, peçam emprestado, façam como quiserem, mas não deixem de ler!

jpv


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2017

2017

Não há resoluções de ano novo. Esperanças ténues, talvez. Dessas que nos entusiasmam devagarinho, como quem desconfia. Publicar outro romance… terminar mais um… amar sem restrições e comer com elas enquanto me lembrar de que sou mortal.

Não quero muito, não peço muito. Tudo basta-me. Estou cada vez mais convencido de que sem mim não existe mundo, nem céu, nem terra, nem mar, nem livros a folhear, nem golos no último minuto, nem corpos a desbravar, nem conversas a incendiar. E não é um pensamento egotista, assim como quem se arroga a dar sentido à existência das coisas. É mesmo a simples e humilde constatação de que a minha existência dá vida ao cosmos… para mim! Mais do que isto é ir pelas certezas divinas e transmateriais da alma em espaços paralelos. Creio em Deus Todo-o-Poderoso? Claro. E pratico. Mas até Deus morre para mim no momento em que partir. Ou ficar.

Não há resoluções de ano novo. Exceto uma. Ainda mais escrita de caneta a roçar no papel, quase a rasgá-lo de emoção e cafés quentes na mão e cada vez menos digital. Cá virei para vos mostrar o que nasceu do namoro entre a caneta e o papel. Mas não me peçam “Gostos” e “Adoros” e polémicas acesas acerca de coisa nenhuma. Não é nada convosco. Sois espetaculares. Tendes uma paciência de santo… É só que preciso de mim um poucochinho mais… e estou cansado… preciso de menos urgências e mais paciências. Menos causas e mais atos. Preciso reunir-me e reencontrar-me. E publicar um romance e terminar o outro.

E depois… depois tenho um filho a ser homem e vê-lo crescer dá muito trabalho e leva muito tempo. Um neto é que era. Mas, para resolução de ano novo, falta-me em capacidade do que quer que seja o que me sobra em ânsias e desejos… um neto é que era… O miúdo voou. Foi ter vida e fazer coisas e conquistar mundos e amar e desamar e… eu, que lhe dei as asas, fico aqui, perdido, com pena de o ver voar. E nem sei porquê. Porque me faz falta. Sempre fez…

A minha mãe… a minha mãe que, sem saber se poderia cumprir a promessa, um dia me prometeu que não me deixaria ir à tropa, é que tinha razão. A dizer-me que eu daria as suas passadas e sofreria de dores como as suas.

E pronto, fica prometido. Mais caneta e odor a papel. Menos digital. E quanto ao resto, seja o que Deus quiser!

Bom ano, amigos!

João Paulo Videira


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Recados para o Meu Amigo Orlando

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Terceiro e Acenante Recado.

Querido amigo, Orlando Meneses,

Como tu bem viste, eu sei que não perdes pitada, as equipas a equipar de encarnado e cujo nome começa por um B, este fim de semana, tiveram sortes semelhantes. Ambas mereciam estar a ganhar por 4 a 0 ao intervalo, mas só na segunda parte se fez justiça e levaram de vencida os seus adversários. Não foi nada fácil porque as equipas pequenas agigantam-se quando jogam contra os primeiros da tabela classificativa.

Meu amigo, o recado de hoje nem é tanto sobre futebol. É para te pedir um conselho. Eu vou viajar de Maputo para Lisboa esta semana, mas não sei bem o que hei de vestir. Será que me podes ajudar? É que ouvi dizer que na capital lusa estavam menos oito graus, parece que o frio é tanto que as pessoas cobrem-se com tudo o que têm à mão, até com lenços brancos!

Amigo, sempre a estimar-te. Não percas os jogos da Primeira Liga Portuguesa. Parece que a luta entre os três primeiros está muito acesa.

Com amizade e consideração,

João Paulo Videira


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Recados para o Meu Amigo Orlando

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Segundo e Picante Recado

Amigo Orlando,

eu bem sei que tu querias que o nosso Benfica ganhasse por muitos, mas a verdade é que aquela pequena equipa que hoje nos visitou fez muito anti-jogo. Se não me engano, foram umas 74 faltas sem que tivesse havido as expulsões que as leis do jogo mandam.

A verdade, meu amigo, é que aquela pequena equipa de verde produz muito, mas concretiza pouco e, sobretudo, tem uma defesa de manteiga. O guarda redes do nosso Glorioso fez toda a diferença porque é o melhor em Portugal e no mundo. E depois, o nosso ataque não vacila.

Enfim, hoje ao jantar comi uns grelinhos macios e fáceis de trincar. Tive de lhes acrescentar uma malagueta mexicana bem encarnadinha para ganharem mais sabor. Só não gostei de um tipo de preto que andava ali pelo meio a cortar as jogadas de ataque do grande Benfica e sorrir para o WC.

Golos bonitos e alarga-se a vantagem pontual. 4 pontos de vantagem sobre o 2º classificado e a seguir já nem sei quem seja o terceiro, isso já é lá muito para o fundo da tabela. Ainda bem que o Jesus na terra fez descansar os pastorinhos na Polónia e se auto-eliminou das competições europeias. Ganhou muito com isso. Muito inteligente o JJ. Ainda bem que mudou de apartamento. A pouco e pouco lá vai conseguindo o mesmo que o ano passado que é perder tudo. Mesmo com as jogadas do costume que é os vouchers e os insultos gratuitos.

Mas pronto, estes já estão, para a semana há mais, mas parece que vamos ter um adversário a sério, o grandioso Estoril.

Olha, meu amigo, não me respondas já. Respira fundo, vai lá contar os penaltis por marcar que devem ter sido mais de vinte mil. É que agora vou dormir que nem um bebé e sonhar com os voos da águia.

Um abraço vermelhão,

João Paulo Videira