Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Sombra

20170716_111230

És a sombra
Do Amor que partiu.
És a luz
Que não entrou.
A ave assustada
Que fugiu.
E eu fui crescer
Noutro coração.
Alma errante
À procura de chão.

jpv

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Fado

solitude

Sou o apátrida
Dos teus afetos.
O banido
Dos desejos secretos
Onde escondes
O teu ser.
Amar-te
É morrer!
Sou a ferida
No teu corpo,
Ser estranho
E morto
Que rejeitas
Sem olhar.
E é porque sou tudo isso,
Oração e Feitiço,
Que não me consegues abandonar.

Nasceste onde terminei,
Vives onde me acabo.
És tudo o que tenho e sei,
Meu príncipe, meu rei,
Minha canção,
Meu fado.

jpv


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Recusa

recusa-sensual

Gosto quando me recusas
E as palavras
Que usas
Chamam por mim.
Gosto quando anuncias o fim
E tudo me soa
A desejo.
Gosto do teu beijo
Zangado
E refilão.
Gosto dessa tua
Negação
Sensual e atrevida.
Contigo,
A vida
É mais vivida.
E gosto quando
Me viras as costas
E tuas mãos
Continuam postas
No meu corpo.

Não mudes, meu amor.
Esse teu desatino
Traz som e cor
Ao filme
Da minha vida.
Gosto de ti,
Sempre,
Até na partida.

E quando já não puder amar,
Em meus dias longos e envelhecidos,
Quero entregar no teu regaço
O que sobrar dos meus sentidos.

jpv


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Transgressão

bw-body-07

Transgride em meu corpo!
Vem conhecer as fronteiras
E inaugurar os limites.
Vem amar-me noites inteiras
Antes que eu me perca e tu fiques
À beira do nada.

Vem usar-me!
Vem despir-me de mim.
Vem castigar-me.
E vem devorar-me no fim!

Vem oferecer-me teu corpo.
Traz-me esse tesouro.
Traz-me a loucura e a ousadia.
Traz-me o suor e a vertigem
Até ser outro dia.

Esse amanhecer em doce pecado,
Esse amor mal jurado,
E essa entrega absoluta.
Vem saciar-me da luta
Que é debater-me  com a tua ausência.
Há nisto tudo
Muito de impulso
E quase nada de ciência.

Vem desacertar-me as horas,
Vem destruir-me os caminhos feitos.
Atira-te ao corpo
E aos preconceitos
E despe-nos ambos.

Vem para junto de mim!
Ser meu princípio
E meu fim.

Vem começar
E vem terminar.
Vem inaugurar
E vem encerrar a sessão.
Inquieta-se-me a alta
E agita-se-me o corpo
Por não ver tua roupa no meu chão.

Anda cá!
Transgredir todas as leis.
Anda cá!
Ser tu em mim.
Vamos os dois construir a culpa
E viver juntos e apaixonados
O remorso dos culpados.

jpv


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Jogo Mal Jogado

a-pensar-em-ti

Quando tua pele me toca,
Não é o mesmo que deixar-se tocar.
Quando teu corpo me convoca,
Não sou eu que te estou a convocar.
Quando teu olhar me olha
E me atira lanças de desejo,
Não sou eu a suplicar-te
Húmido e despudorado beijo.
Quando teu corpo chama pelo meu,
Em seu jeito desajeitado,
Não sou eu a imaginá-lo
Em cama de luxúria deitado.
E quando me chamas e me suplicas,
Com teu olhar tímido e tentador,
Não sou eu a convidar-te
Para o doce enlevo do amor.

E é por isso que não percebo,
Neste jogo mal jogado,
Quem seja o anfitrião,
E quem faça de convidado.

jpv


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Tu Sabes

mar

Tu tens desejos
No corpo.
Tu tens convites
Nas linhas curvas
Da tua figura.
Tu sabes que há beijos
Por dar
Que são para mim
Doce tortura.

Tu sabes como dizer sem palavras.
Tu sabes como chamar
Com o silêncio do teu sorriso.
E até sabes que levas nas ancas
A perdição total de meu juízo.

E, contudo, passas.
Indiferente às ameaças
de meu cercar.
Sábia em cercos,
Em dar de corda
E em apertos,
E em ter-me preso a ti,
Entre tuas coxas amarrado!
Santa luxúria,
Beato pecado.

Não.
Não penso hoje nos seios
Que me faltam as palavras e os meios
Para tanto navegar.

Entre nós
Não há nenhum espaço.
E há o mar!

jpv


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O Cigarro do Depois

smoke

Não fumaste o cigarro do depois.
Não dissemos palavras encantadas,
Nem fitámos os olhos dos dois.
Não quiseste perceber tudo,
Nem  um compromisso,
Uma  declaração de amor.
Não fizeste planos arrojados.
Vestiste a roupa breve
E deixaste-nos despojados
De nós.
Nem uma palavra.
Só o silêncio da tua voz,
E o teu corpo, esguio e esbelto,
Saindo do quarto, apressado.
Não ia saciado.
Ia à procura do resto.
De quem te mereça as palavras.
De quem te acenda o cigarro…
Do desejo.

jpv


2 comentários

Retrato Impossível

20160522_090453

Não sei como te descreva
Que me faltam as palavras
E me foge o chão.
Eras todo um encanto,
Um sorriso elegante,
Um corpo de ilusão.
Trazias uma saia de desejo,
Um corpete de tentação
E um decote em linha de promessa.
E dois pendentes brilhantes,
De graça.
E tua mão, segurando a taça,
Enobrecia o vinho.
E eu, ali,
Sozinho.
De ti.

jpv