Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Recados para o Meu Amigo Orlando

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Terceiro e Acenante Recado.

Querido amigo, Orlando Meneses,

Como tu bem viste, eu sei que não perdes pitada, as equipas a equipar de encarnado e cujo nome começa por um B, este fim de semana, tiveram sortes semelhantes. Ambas mereciam estar a ganhar por 4 a 0 ao intervalo, mas só na segunda parte se fez justiça e levaram de vencida os seus adversários. Não foi nada fácil porque as equipas pequenas agigantam-se quando jogam contra os primeiros da tabela classificativa.

Meu amigo, o recado de hoje nem é tanto sobre futebol. É para te pedir um conselho. Eu vou viajar de Maputo para Lisboa esta semana, mas não sei bem o que hei de vestir. Será que me podes ajudar? É que ouvi dizer que na capital lusa estavam menos oito graus, parece que o frio é tanto que as pessoas cobrem-se com tudo o que têm à mão, até com lenços brancos!

Amigo, sempre a estimar-te. Não percas os jogos da Primeira Liga Portuguesa. Parece que a luta entre os três primeiros está muito acesa.

Com amizade e consideração,

João Paulo Videira

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Recados para o Meu Amigo Orlando

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Segundo e Picante Recado

Amigo Orlando,

eu bem sei que tu querias que o nosso Benfica ganhasse por muitos, mas a verdade é que aquela pequena equipa que hoje nos visitou fez muito anti-jogo. Se não me engano, foram umas 74 faltas sem que tivesse havido as expulsões que as leis do jogo mandam.

A verdade, meu amigo, é que aquela pequena equipa de verde produz muito, mas concretiza pouco e, sobretudo, tem uma defesa de manteiga. O guarda redes do nosso Glorioso fez toda a diferença porque é o melhor em Portugal e no mundo. E depois, o nosso ataque não vacila.

Enfim, hoje ao jantar comi uns grelinhos macios e fáceis de trincar. Tive de lhes acrescentar uma malagueta mexicana bem encarnadinha para ganharem mais sabor. Só não gostei de um tipo de preto que andava ali pelo meio a cortar as jogadas de ataque do grande Benfica e sorrir para o WC.

Golos bonitos e alarga-se a vantagem pontual. 4 pontos de vantagem sobre o 2º classificado e a seguir já nem sei quem seja o terceiro, isso já é lá muito para o fundo da tabela. Ainda bem que o Jesus na terra fez descansar os pastorinhos na Polónia e se auto-eliminou das competições europeias. Ganhou muito com isso. Muito inteligente o JJ. Ainda bem que mudou de apartamento. A pouco e pouco lá vai conseguindo o mesmo que o ano passado que é perder tudo. Mesmo com as jogadas do costume que é os vouchers e os insultos gratuitos.

Mas pronto, estes já estão, para a semana há mais, mas parece que vamos ter um adversário a sério, o grandioso Estoril.

Olha, meu amigo, não me respondas já. Respira fundo, vai lá contar os penaltis por marcar que devem ter sido mais de vinte mil. É que agora vou dormir que nem um bebé e sonhar com os voos da águia.

Um abraço vermelhão,

João Paulo Videira


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Recados para o Meu Amigo Orlando

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Primeiro e Inaugural Recado.

O meu amigo Orlando Meneses pensa que é sportinguista, diz que é sportinguista, fala com sportinguistas, mas, no fundo, no fundo, é um fervoroso benfiquista dos cinco costados. Caso contrário, como explicaríamos que, em cada dez batidas do seu coração, nove fossem pelo Glorioso? Como se explicaria que todos os seus pensamentos, maus e bons, fossem acerca do Benfica? O meu amigo Orlando Meneses pode não saber, mas ele é um fanático benfiquista. A sua mente está quase sempre virada para o Glorioso. E digo quase porque, como é bom homem e um excelente avô, de vez em quando pensa nos netos!

O meu amigo Orlando Meneses é um brincalhão, gosta de metáforas e ambiguidades e palavras matreiras que dizem sem referir, que sugerem sem dizer, que insinuam sem anunciar… e meteu-se comigo.

E eu que sempre andei ali no politicamente correto, na justiça da análise, na busca da honestidade e da verdade, passava a vida a levar bicadas e apertões no nariz. Ai é?! Pois agora, meu amigo, chegou a hora de partir a loiça toda!

Eu bem sei que hoje estavas à espera que eu me refugiasse no aconchego dos lençóis e não viesse às redes sociais por causa da pizza napolitana. Estás enganado, foi só acabar de fumar o meu cigarro falso que um falso presidente de uma quase falsa agremiação me emprestou e vim aqui dizer-te que o nosso Benfica está apurado para os oitavos de final da Champions League onde, como o nome indica, só estão campeões.

Olha, amigo Orlando, o sorteio é terça feira. Encontramo-nos lá. Ou a ti, desta vez, não te apetece ir???? Desta vez? Huummm… cá para mim não sabes o caminho para a sala de sorteios…

A pizza hoje foi um bocadinho indigesta, mas no fim de semana já comemos coisas mais leves. Verdurinha!

Sempre a estimar-te,

João Paulo Videira


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Místicas

Quando ela me olhou, quando me sorriu e estendeu os braços para mim, eu estava a milésimos de segundo de ser surpreendido e, ainda assim, a milhas de distância de saber o quão feliz ela me faria hoje.

Passa um pouco da uma e trinta da manhã, estou na minha cama e escrevo para os meus leitores a história do dia em que a vida me surpreendeu e sorriu. Mas… vamos lá a contar a história pela ordem correta, que é como quem diz, do princípio para o fim.

A Páscoa, este ano, foi em Portugal. Todo o tempo com a família é pouco. Ainda por cima e por causa de um contratempo que houve pelo meio, só foi possível estar nove dias em Portugal. Quando se é emigrante a dez mil quilómetros de casa, em Moçambique, neste caso, todo o tempo que se passa aqui é pouco. Chega para quase nada. É preciso estar com a família, é preciso dar atenção aos mais chegados, é preciso ir ao médico, comprar medicamentos, tratar dos impostos, de inúmeros pormenores de manutenção da casa, comprar bens que fazem falta em Maputo, levar coisas que alguns colegas pediram… muito movimento… muita azáfama.

É evidente que, benfiquista apaixonado e saudavelmente doente pelo Glorioso, não pude deixar de reparar que, durante a minha estadia em Portugal, jogava-se o Benfica – Braga. Jogo a prometer emoções fortes, o estádio a ameaçar encher… Pensei que, se pudesse, se sobrasse tempo, iria… claro. Acontece que só na quarta feira me lembrei de comprar bilhete para sexta feira, 1 de abril… o que me disseram na casa do Benfica de Torres Novas parecia mentira:

– Não há bilhetes. Está tudo esgotado!

Contactei várias casas do Benfica. Entroncamento, Fátima, Alpiarça… nada, sempre em vão, sempre a mesma resposta. Não há bilhetes. Ainda na quarta feira, a comunicação social informou que no dia seguinte seriam vendidos os últimos dois mil bilhetes. Contactei uma amiga que trabalha em Lisboa, pedi-lhe que fosse ao estádio à hora de almoço e tentasse comprar-me dois bilhetes. Um para mim, outro para o meu cunhado. Ela ligou-me a dar a triste notícia. Os dois mil bilhetes esgotaram em vinte minutos.

Decidi não ir hoje a Lisboa. Não valia a pena estar nas imediações do estádio e não ter como entrar. De manhã, levantei-me, tratei de diversos aspetos relacionados com a manutenção da casa, escrevi um pouco, virei-me para o sol primaveril e senti-o aquecer-me a pele. Pela hora de almoço, a minha mulher diz-me que se esquecera de comprar umas coisas em Lisboa que precisava de levar para Maputo:

– Sempre podes tentar encontrar os bilhetes…

– Os bilhetes esgotaram! Qual parte da palavra esgotados é que tu não percebes?!

Mas fiz-lhe a vontade e levei-a a Lisboa. Happy wife, happy life…

Estar junto ao Estádio da Luz fez renascer a esperança até a esperança se esmurrar de encontro à realidade. Na primeira bilheteira que visitei, disseram-me que estava tudo esgotado, na segunda, tudo esgotado, fui à MegaStore do Benfica, tudo esgotado. Não gosto de comprar bilhetes na candonga. Normalmente são falsos. Não perdi tempo com isso. Resolvi aceitar o destino e o destino não queria que eu visse o jogo na Catedral. Aparentemente. Fui a uma loja de roupas e artigos desportivos lá no estádio e decidi recompensar-me comprando a camisola do Benfica. Sorri à menina que me atendeu e pedi-lhe que gravasse jpvideira nas costas.

– Jota, ponto, pê, ponto, Videira?

– Não, não. Não leva pontos. Só as letras.

– Com espaços entre as letras?

– Não. Tudo junto, por favor. JPVIDEIRA tudo junto, sem pontos, nem espaços.

– Muito bem. Volte daqui a quinze minutos.

Durante esses quinze minutos fui a mais uma bilheteira, mas era inútil. Vagueei por ali, cumprimentei o Eusébio e fui, por fim, buscar a camisola. Sorri à menina, perguntei se já estava, que sim, que estava. Agradeci-lhe simpaticamente e foi então que ela me olhou como se me quisesse dizer algo especial, como se procurasse em mim uma história e disse só estas palavras:

– Aqui tem a sua camisola. Tenha um bom jogo.

– Oh… muito obrigado, mas eu não vou ver o jogo. Vim de Maputo para passar uns dias e queria ver o jogo, mas os bilhetes esgotaram…

Ela abriu a caixa registadora, tirou de lá dois bilhetes, estendeu-me a mão com eles e disse:

– Vai ver o jogo pois. Tome divirta-se! São os últimos!

Eu estava incrédulo. Tentara tudo por dois bilhetes, caros que fossem e aquela moça de olhar meigo e sorriso a iluminar a face estava a oferecer-me dois bilhetes… Fiquei sem saber como reagir.

– O que posso fazer por si? Sabe a alegria que me está a dar?

– A única coisa que pode fazer por mim é ir ver o jogo e divertir-se!

– Se não fosse homem chorava…

– Chorar não é vergonha… Ah e já agora… que ganhe o Benfica!

– Que ganhe o Benfica.

Empoleirei-me no balcão, dei-lhe dois beijinhos e fui tirar uma foto com o Rei Eusébio, desta vez eu tinha JPVIDEIRA escrito nas costas e dois bilhetes no bolso!

O resto foi o que se sabe. Uma noite farta e generosa. Cinco a um no marcador, alegria, cânticos, 61042 pessoas a encherem o estádio e… a memória da S. sempre comigo… o seu sorriso, no momento em que me entregou os bilhetes, era mais do que um prognóstico, era a certeza de que a mística benfiquista existe, era a emoção de uma vitória linda a anunciar-se.

E agora vou dormir… mais feliz… com pouca coisa me faço feliz… umas palavras, uma bola jogada na incerteza do resultado, um sorriso, um olhar… um momento mágico à Benfica!

jpv


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Vermelho Direto – Crónica Polémica sobre o Colinho!

benfica-bicampeao-34Já está! Doa a quem doer, o Benfica venceu o seu 34º título nacional e é bicampeão nacional.

Esta crónica não será simpática. Não pretende sê-lo. Será o reflexo racional e desapaixonado da forma louca e apaixonada como vivo o meu Benfica.

Mérito
É todo dos jogadores, da equipa técnica e da direção do SLB. O Benfica é, neste momento, o clube mais bem gerido de Portugal. Supostamente ia perder tudo porque vendeu todos os bons jogadores que tinha. E, afinal, quem se lembra deles? Jorge Jesus geriu o plantel com muita sabedoria, foi pragmático, ganhou quando precisou, empatou quando quis e perdeu quando não conseguiu melhor. Expressa-se mal, faz frases sem sentido e diz disparates, mas, que eu saiba, ninguém o contratou para dar aulas de português. Na sua profissão é o melhor de Portugal. O Benfica não jogou sempre bem, mas foi a equipa mais regular e mais competente. Há sempre quem queira provar o contrário, mas esses, normalmente, terminam o campeonato com menos pontos. Jesus não foi mais longe nas competições europeias porque sabia que não podia. Fez uma opção e deixou-se de ilusões. Esse realismo e esse pragmatismo deram ao SLB a vitória no campeonato. Muitos dos que gozaram com o Benfica por não ter ido além da fase de grupos na Champions, não foram a lado nenhum.

Lopatego
O treinador do F. C. Porto é arrogante. Julga-se muito culto e superior a tudo e todos. Julga-se superior aos seus colegas, aos seus jogadores e aos jornalistas. Mas não é. Tinha o melhor plantel do campeonato e perdeu. Aliás, Lopatego foi capaz de perder tudo. Tolapego tinha bons jogadores, mas nunca teve uma equipa equilibrada, pode ser um chefe, mas não é um líder. Palotego destruiu a influência de Quaresma no plantel e quando se apercebeu do erro já era tarde de mais. Aliás, Lotepago nunca admitiu que tinha errado e não foi capaz de dar os parabéns ao Benfica nem a Jesus… uma lástima este basco. Como treinador e como pessoa. Não resta este ano, aos adeptos do FCP, outra solução que não seja invocarem os títulos do passado. Atenção que o passado começa a ficar distante.

O Bruno e o Marco
Os sportinguistas andam a queixar-se das arbitragens. Há décadas. Os únicos anos em que não se queixam das arbitragens e não fazem umas patéticas tabelas classificativas com supostas classificações corrigidas dos erros de arbitragem são aqueles anos, poucos, em que ganham. Nunca reconhecem a vitória dos adversários o que é chato porque quase nunca conseguem ganhar. Aliás, ainda ontem vi uma tabela dessas, mas não estavam lá os dois pontos que foram sonegados ao SLB frente ao Guimarães por golo mal anulado. Não interessa! Tinham um bom treinador. Sim, tinham. Nenhum homem são da cabeça quer conviver com um presidente que abre frentes de batalha todos os dias, incluindo as internas, em que se ocupou a denegrir a imagem de grandes sportinguistas. Bruno de Carvalho geriu mal a época. Ponto. Esse foi o verdadeiro problema do SCP. O problema do SCP é interno! Têm excelentes jogadores, muito jovens, que precisam ser ensinados e não processados quando um jogo corre mal. Ainda não foi desta e não sei quando voltará a ser.

Colinho
O verdadeiro colinho foi correr mais do que os outros, foi ganhar mais do que os outros, foi sofrer em silêncio para gritar agora de exuberante alegria. O verdadeiro colinho foram casas com 60000 espetadores frente a equipas como o Estoril e o Penafiel. O verdadeiro colinho foi uma massa adepta incomparável em número e entusiasmo. Houve jogos em que os árbitros erraram favorecendo o Benfica, mas também os houve em que o prejudicaram, como ontem, por exemplo. E não esquecer, aqueles que acusam o SLB de colinho, que este foi o campeonato dos penaltis não assinalados contra o Porto e dos golos fora de jogo do Sporting. As equipas com maior dimensão são sempre beneficiadas, e não deviam ser, mas os árbitros não definiram este campeonato. Foi a competência da equipa benfiquista que o definiu. E o Glorioso não ganhou o campeonato porque o Porto empatou com o Belenenses. O Benfica ganhou o campeonato porque tem mais pontos ao cabo de 33 jornadas.

E agora?
Agora vamos disputar com brio e respeito pelo adversário a final da Taça da Liga e para o ano cá nos encontramos. Outra vez com mudanças, com alegrias, com tristezas e sempre com a mesma paixão. A paixão benfiquista! Estive mesmo para não escrever esta crónica, mas estou em trabalho em Nampula, no norte de Moçambique e, há pouco, cruzei-me nos corredores do hotel com um senhor muçulmano, com o seu traje típico, aquela ‘túnica’ cujo nome é thoubh ou jalabiyah, por cima do qual envergava uma t-shirt do Benfica com um enorme 34 no centro do emblema. Não me contive. Se neste fim de mundo para a geografia da minha vida, ainda havia filas de carros a buzinar às 23h, 22h de Portugal, então eu também posso amanhar umas linhas de celebração provocatória.

Benfiiiica!

jpv


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Vermelho Direto – Fim de Semana Verde e Branco

66284-red-card-sexyVermelho Direto – Fim de Semana Verde e Branco

Eu não queria escrever sobre bola este fim de semana. E nem é pelo Benfica ter perdido. É porque foi um fim de semana muito intenso e trabalhoso. De tal forma que nem cheguei a ver o meu SLB. Só os resumos. E pelos resumos, para que os meus amigos sportinguistas e portistas não me acusem de não comentar quando perdemos, cão vão algumas notas sobre a futebolada deste fim de semana.

a) Parabéns ao Sporting que é o grande vencedor da jornada. Não só porque ganhou, mas porque foi a única equipa, juntamente com o Rio Ave, que jogou verdadeiramente bem. Os leões têm de agradecer à Briosa que atrasou o Braga. No seu campeonato, o do terceiro lugar, a equipa está agora mais confortável.

b) O Porto demonstrou porque não vai ser campeão. O treinador continua a inventar nos momentos cruciais e é ele próprio quem desestabiliza a equipa. Tem um excelente plantel, mas muito desaproveitado. É um Porto europeu. Boa sorte para essas andanças.

c) O Benfica fez o mais difícil: marcar cedo e adiantar-se no marcador. Depois não jogou mais nada. Muito pouco rendimento numa fase crucial da época. Pode ter sido um bom resultado para despertar a equipa para os últimos 8 jogos do campeonato. Não falo de arbitragem. Apitou, está apitado. Eram os jogadores que deveriam ter feito mais. Não gostei que o Jorge Jesus falasse de arbitragem, como continuo a não gostar do treinador do Porto a fingir que não erra sempre que mete a pata na poça.

Ainda faltam oito jogos, mas… o calendário está muito equilibrado. Eu acredito que, quer o FCP, quer o SLB, ainda vão perder pontos. Curiosamente, este campeonato vai decidir-se muito mais pelas decisões do Lopetegui do que do Jesus. Se o treinador do Benfica não inventar e puser os melhores nos lugares deles e a correr atrás da bola, o treinador do Porto há de inventar sozinho e enterrar a equipa sozinho. Eu não percebo nada de bola, mas onde estava ontem um tal de Oliver? Ah, sim… no banco! Gracias amigo!

Boa semana e bom trabalho.

 


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Vermelho Direto – Claques e Presidentes

66284-red-card-sexyVermelho Direto – Claques e Presidentes

Sejamos diretos e frontais.

1) Eu sou contra todo o tipo de claque de futebol organizada e apoiada por um clube. Esse tipo de organização nunca trouxe nada de positivo ao futebol português e, por mim, poderiam e deveriam acabar todas.

2) Eu abomino o que se passou no pavilhão da Luz, nomeadamente, a evocação, através de uma tarja, de um dos mais trágicos e condenáveis incidentes, a meu ver a configurar um homicídio, do futebol português.

Dito isto. Tomando estes dois pressupostos para início de conversa, não me parece que qualquer clube dos grandes, e não só, possa acusar os outros. A verdade é que todas as claques já perpetraram atos de violência inomináveis. E, sim, um dos mais recentes foi a vandalização do estádio da Luz por adeptos sportinguistas que queimaram umas centenas de cadeiras. Nunca ouvi uma declaração pública de repúdio como ouvi esta semana por parte do presidente do Benfica em relação à abominável tarja. Penso que Luís Filipe Vieira esteve muito bem em relação ao que disse e quando disse. Se eu fosse sportinguista, também gostaria que ele tivesse dito mais cedo, mas a verdade é que estava uma investigação a correr e esses processos requerem alguma prudência. De resto, o presidente do Benfica tocou no ponto certo da ferida: o problema não é esta ou aquela claque, o problema que é preciso atacar é o da violência no futebol. E, no seu discurso condenou claramente o ato. Isso é inequívoco.

Bruno de Carvalho esteve igual a si próprio: mal! Dificilmente estaria pior. Cortar relações em vez de unir esforços, culpar um adversário para branquear um empate que compromete o título, são marcas de atuação que, infelizmente, já vão sendo hábito no atual presidente do Sporting. Quase apetece perguntar com quem é que ele ainda não cortou relações dentro e fora do Sporting? Bruno de Carvalho não veio para acrescentar nada ao futebol português, veio para destruir. E tem conseguido. O Sporting, por exemplo, está de rastos. O treinador não tem paz, está uma pilha de nervos, os jogadores andam perdidos em campo e não, não jogaram bem contra o Benfica, se tivessem jogado bem, tinham ganho por vários a zero porque o SLB, infelizmente, esteve muito fraco, mas suficientemente forte para marcar quando precisou, e toda a estrutura anda em ansiedade. É vê-los a comemorar golos contra o Penafiel, o Arouca e o Belenenses como se fossem os golos das suas vidas. É vê-los a serem campeões dos empates. É ver a figura ridícula e humilhante que um, outrora, muito bom guarda-redes, fez ontem no jogo contra o Belenenses. Patrício, que não merece, foi a imagem de um Sporting instável e esfrangalhado não obstante ter um bom punhado de jovens jogadores. Inácio um excelente ex-jogador e ex-treinador era, no banco, a imagem do desespero provocado pela instabilidade e pelo desacerto da equipa.

Penso que os tipos da claque que colocou a tarja deveriam ir a tribunal, cumprir pena de prisão e nunca mais pôr os pés num estádio de futebol.

Penso que Bruno de Carvalho deveria ter um assomo de consciência e sumir de mansinho.

Penso que Luís Filipe Vieira está obrigado a levar o inquérito e a investigação até ao fim e a identificar e banir os culpados para fora do SLB.

Tenho dito!
jpv


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Vermelho Direto – O Ouro da Bola

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Capa do jornal A Bola de 13 de janeiro de 2015 (o destaque é nosso).

Vermelho Direto – O Ouro da Bola

Esta crónica não é sobre futebol. Não é sobre a bola de ouro. É sobre o ouro da bola.

Se fosse sobre futebol, seria uma qualquer análise acerca do atual momento futebolístico, mas isso arruma-se em três penachadas. Penachada Primeira: toda a gente merecia ir em primeiro, mas quem vai é o SLB. Ou seja, mais do mesmo. No campo, que é bom, perdem pontos. Nos jornais e nas redes sociais são os campeões da conversa da treta. Penachada Segunda: A taça, ou vai para o SCP ou para o SCB. Ou seja, este ano o troféu será entregue a um daqueles clubes que, briosamente, costuma ser o primeiro ou o segundo dos últimos. Penachada Terceira: A taça da liga é uma incógnita e a Europa não vai dar em nada. Antes desse.

Se fosse sobre a bola de ouro, seria um corropio de elogios ao CR7, que muito admiro na sua profissão. Leva tudo a sério, prepara-se como ninguém, é ambicioso, mas mantém a humildade dos nobres. Eu penso que não se deve cair na tentação de comparar o CR7 com Messi. São universos diferentes, matérias diferentes. CR7 é todo profissionalismo. Messi é mais circo e vedetismo.

A crónica de hoje é sobre o ouro da bola. Essa filigrana de valores tantas vezes esquecida. Por baixo da merecidíssima primeira página que o jornal A Bola dedicou à conquista de CR7, surge, em letras pequeninas, uma notícia sem importância quase nenhuma para quase toda a gente, mas que mudará a vida de milhares de crianças. A Fundação Benfica vai construir em Cabo Verde, terra recentemente assolada pela catástrofe natural, uma escola com capacidade para 600 crianças! Há os que dizem que ganham tudo, há os que dizem que mereciam ter ganho tudo, há os que dizem que têm as melhores equipas, há os que dizem que formam os melhores jogadores, e depois há o Benfica. No meio de todas as competições, atingido, como todos, pelas condições financeiras débeis da conjuntura mundial, o SLB consegue olhar para o lado e desempenhar um trabalho humanitário, solidário, em prol do futuro dos jovens a quem o futuro parece não sorrir, e dedicar-se a uma causa tão nobre que, essa sim, merecia primeira página. Mas não teve. E nós, benfiquistas, não nos incomodamos nada com isso. A história do SLB não é feita só de primeiras páginas. É feita da nobreza das páginas todas. Obrigado Benfica!

jpv


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Vermelho Direto – Cá Dentro e Lá Fora

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Vermelho Direto – Cá Dentro e Lá Fora

Da mesma forma que considero o Benfica a melhor equipa portuguesa a jogar em Portugal neste momento da temporada, também a considero a pior equipa portuguesa a jogar nas competições europeias.

E este raciocínio não está ligado somente aos resultados. Internamente, o SLB é a equipa mais eficaz, mais competitiva e está na frente do campeonato com toda a justiça. Logo depois, vem, a meu ver, a coesão coletiva do FC Porto seguida da juventude voluntariosa do SC Portugal. O SLB interno resolve melhor os problemas, é mais experiente e tem um grande sentido de gestão do jogo. Por outro lado, alguns dos reforços desta época são bons para consumo nacional. Os mesmos que gozaram com os maus resultados da pré-época benfiquista, têm agora de olhar para cima na tabela classificativa para vislumbrarem os encarnados lá no topo.

No que respeita às competições europeias, o FC Porto é a equipa mais consistente, o SC Portugal é a que joga o melhor futebol e o Benfica, infelizmente, não é uma coisa nem outra. Mesmo tendo em conta que o grupo do Benfica é claramente, e de longe, o mais difícil, exigia-se outra organização, exigia-se outra experiência e, sobretudo, mais raça e dedicação em campo. O Benfica europeu é muito fraquinho porque não tem centrais à altura da competição e não tem um conjunto de médios à altura da competição como não tem, também, um banco que ofereça soluções. Vai perder o grupo e sem surpresa ficará em último. O que não é mau de todo. Poderá concentrar-se em revalidar alguns dos muitos títulos que conquistou na época passada, em que, note-se, arrasou toda a concorrência em todas as frentes.

Se eu tenho esperança? Depende. Nas competições nacionais tenho. Nas internacionais não. É curioso que no ano passado por esta altura, o Glorioso perdeu por 3-0 com o PSG e, a partir dessa derrota, construiu uma época notável. Quem dera que o resultado de ontem tivesse o mesmo efeito.

A ver vamos.

Tenho dito!

jpv


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Vermelho Direto – O Tribunal do Bruno

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Vermelho Direto – O Tribunal do Bruno

Será que o Presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, vai colocar-se a si próprio em tribunal? Devia! Utilizando o seu próprio critério de ‘contratações duvidosas’ e se quiser ser coerente, Bruno de Carvalho tem de sentar-se no banco dos réus por gestão danosa. O Sporting perde prestígio desportivo, joga mal, não concretiza, e, com meras quatro jornadas volvidas, começa a ver a promessa do título a esfumar-se muito antes do tradicional Natal!

Nós, benfiquistas, e qualquer português que goste de futebol, queremos um Sporting forte, que dê luta e dignifique uma instituição que já tantas alegrias deu aos seus adeptos e aos portugueses. Acontece que, como escrevi na última crónica, o Sporting está fraco e a razão é óbvia. Tem um plantel paupérrimo. Não tem um único jogador de dimensão internacional e não tem um único jogador que faça a diferença. Slimani joga na seleção da terra dele porque lá na terra dele só há dois avançados e o outro está lesionado. William Carvalho é uma excelente promessa de um excelente jogador que faz excelentes passes para trás e para o lado. Tal como o André Gomes e o André Almeida , para não dizerem os leitores que sou um benfiquista faccioso, o William Carvalho só vai à Seleção porque, como diz o CR7, e bem, em Portugal é difícil encontrar jogadores de topo. O Esgaio é bom para o Paços de Ferreira, o Jefferson é medíocre, o Nani morreu, o Capel só tem um pé, etc, etc, etc… Acusou-se o Belenenses de só jogar à defesa e fazer anti-jogo. É o que fazem todas as equipas modestas quando vão a Alvalade, às Antas ou à Luz. O Sporting, o Porto e o Benfica têm a obrigação de contrariar isso e ontem os leões não contrariaram. O Sporting não ganhou ontem porque não tem equipa para ganhar ao Belenenses. A qualidade dos jogadores vai de má a muito má. E ponto. Ora, enquanto o seu presidente ataca os árbitros, os adversários, o sistema e promete salvar o futebol português de si  mesmo, esquece-se de dirigir o Sporting que é a única coisa para que foi eleito e atira-se à lama do rídiculo quando contrata japoneses duvidosos e coloca cláusulas de sessenta milhões de euros (!!!). É preciso que o Sporting esteja à altura da grande instituição que grandes presidentes construíram.

O Benfica percebeu que não tinha banco e que a equipa estava curta e entretanto reforçou-se. Nada de extraordinário, mas o suficiente para esconder algumas carências. Na sexta-feira fez uma exibição medíocre que só foi disfarçada por via de um adversário muito fraco e  pela inspiração do Talisca que não é nada um grande jogador. É um tipo desajeitado e de morfologia pouco adequada àquela posição. Foi um resultado enganador. Ainda não se viu o coletivo. Acontece que, ao contrário dos adversários da segunda circular, no plantel do Glorioso há uns moços, como o Salvio, que, de repente tiram golaços da cartola e determinam o curso de um jogo. Este Benfica ainda tem muito para crescer e é importante que os árbitros não errem a favor do SLB como aconteceu na sexta-feira com o fora-de-jogo mal assinalado a um avançado o Setúbal para se perceber qual é a capacidade que a equipa tem de reagir a uma adversidade. A verdade é que, na semana passada, a jogar com o debilitado Sporting, quando o guarda-redes, num erro inadmissível, ofereceu o empate ao adversário, a equipa dominou, poderia ter goleado, mas não marcou. E o resto é história. E é uma história que anuncia uma campanha europeia carregada de desilusões. Este nosso Benfica ainda tem capacidade para lutar pelos títulos internos, mas não tem qualquer capacidade de resposta nas competições europeias.

Quem se ri disto tudo é a solidez do futebol musculado do Porto que, ao contrário do que se anseia ali para os lados da segunda circular, hoje não vai perder pontos. E, se perder, isso são muito más notícias para o Sporting. Significa que vai ter no Guimarães um adversário à altura na luta pelo terceiro lugar do campeonato.

E qual é a importância disto tudo? Nenhuma. Futebol não é assunto, é distração.

Tenho dito!

jpv