Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Essa ave pousada…

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Essa ave… pousada,
Celebrando a manhã.
Essa brisa… sossegada,
Acariciando a alma.
Essa luz… azul e infinita,
Sobre a paisagem recortada.
Tudo isso interessa pouco,
Nada disso vale mais que nada,
Quando a palavra proferida
Vem violenta e envenenada.

A tua dor
Não é a minha dor.
E dói-me que não vejas,
Estejas onde estejas,
Ela me dói também.
Tuas lágrimas correm em meu rosto,
Teu coração pulsa em meu peito,
Tua desilusão é meu desgosto,
Teu desespero me traz desfeito.

Essa ave pousada…

jpv

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O que fica…

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Fica só a dor.
No fim do amor.
Fica só o desespero
Da indiferença
E da rejeição.
No fim da paixão.
Fica só essa viagem
longa e interminável
Pela noite escura.
Fica só a sepultura
Das palavras todas
E de todos os abraços.
Fica o timbre da tua voz.
Fica a impotência,
Absurdo inexplicável,
Dor atroz.
Fica só a cinza.
Do lume,
Nem chama,
Nem calor.
Fica só a memória distante
Do amor.
Fica o muro
Intransponível
E escuro
Onde rebento os punhos.
Fica a folha branca,
refém do vazio
E de imperfeitos rascunhos.
Não conheço esse traço, já!
Não sei porque vives sem mim,
Se em mim nasceste
E em mim cresces
Despudorado.
Tem travo a fim
Este fim desenhado
Nos teus gestos.

Fica só…

jpv

 


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Fado

solitude

Sou o apátrida
Dos teus afetos.
O banido
Dos desejos secretos
Onde escondes
O teu ser.
Amar-te
É morrer!
Sou a ferida
No teu corpo,
Ser estranho
E morto
Que rejeitas
Sem olhar.
E é porque sou tudo isso,
Oração e Feitiço,
Que não me consegues abandonar.

Nasceste onde terminei,
Vives onde me acabo.
És tudo o que tenho e sei,
Meu príncipe, meu rei,
Minha canção,
Meu fado.

jpv