Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


Deixe um comentário

Discussões para quê?

É isto…
Tudo o que for além da fruição de um poema belíssimo, de uma melodia maravilhosa e de um conjunto estético de suprema qualidade, é tempo perdido, palavreado excessivo e desnecessário.

Portugal, país de poetas, de músicos, de melodias maravilhosas…

Anúncios


9 comentários

Crónicas de Maledicência – Conchita Wurst: A Diferença Incomoda

Conchita-Wurst-03

Crónicas de Maledicência – Conchita Wurst: A Diferença Incomoda

Conchita Wurst é uma moça austríaca que ganhou, este fim-de-semana, o Festival Eurovisão da Canção. E vai daí toda a gente, e quando digo toda a gente, refiro-me ao mundo inteiro, começou a falar dela.

Até aqui, aparentemente, tudo bem. Só aparentemente. É que ninguém, desse toda a gente, resolveu falar da canção, da voz da cantora, do mérito, ou não da vitória. Nada disso. O mundo inteiro concentrou-se na barba de Conchita. E isso deixou-me triste. Triste, porque eu às vezes deixo crescer a barba e ninguém fala dela. Triste, porque expurgamos todo o tipo de diferença sempre com o pressuposto de que “isto não é nada comigo”. Triste pelo exacerbado e desrespeitoso exercício de preconceito. Os seres humanos são corrosivamente preconceituosos e exercem essa mesquinharia sem o mínimo de critério. Basta que seja diferente. E, se for diferente, incomoda. Muitos, não sabem nada da moça. Viram uma foto, leram ou ouviram alguém a dizer mal e vai de fazer eco do preconceito.

Esteticamente, eu não gosto da opção. Acontece que isso não me dá o direito de ser desrespeitoso nem insultuoso. Eu próprio tenho diferenças e quero que as respeitem. Acho, por isso, que um bom caminho para respeitarem as minhas é respeitar as dos outros. Logo, podemos manifestar o nosso gosto por uma opção estética ou dizer que não gostamos. Destruir, por princípio, é preconceito primário.

De resto, quem somos nós, humanos, para criticar a diferença. Uma mulher de barba? Era o que faltava que isso fosse o mais incomum que vimos até hoje. Se vivemos com homens de longa cabeleira loira, se vivemos com negros de cabelo oxigenado, se vivemos com mulheres de cabeça rapada, e outras de cabeça tapada, se vivemos com homens e mulheres tatuados, com brincos, piercings por todo o corpo incluindo onde o prazer acaba e a vida começa, furos nas orelhas, no nariz, as roupas mais extraordinárias que se pode imaginar, unhas pintadas, caras maquilhadas, se convivemos com pessoas que usam brilhantes nos dentes e anéis nos dedos, se convivemos com pessoas que não usam nada disto e optam por uma gravata a sufocar o pescoço e um fato cinzento num dia de Verão, porque raio nos há de incomodar a barba da Conchita? Enquanto humanos, não temos autoridade moral para criticar a diferença pois é, ela mesma, um dos nossos principais traços comportamentais.

Enfim, criticar, criticar, só me apetece criticar o nome, Conchita. Sei lá, Conchita faz-me lembrar espanholas, touradas na Andaluzia, Malaguenhas com vestidos de roda às bolas vermelhas, castanholas e olés. A Conchita merecia um nome mais helénico. Digo eu.

Já quanto à canção, deixem-me dizer-vos que gostei bastante, tem um crescendo melódico muito bonito e a Conchita tem um vozeirão de fazer inveja. Olha, fazer inveja, será que… Enfim, para os Amigos e Leitores de MPMI poderem avaliar convenientemente, aqui ficam a canção e uma entrevista com a mais recente vencedora do Festival Eurovisão da Canção.

TenhoDito!
jpv