Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Recados para o Meu Amigo Orlando

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Terceiro e Acenante Recado.

Querido amigo, Orlando Meneses,

Como tu bem viste, eu sei que não perdes pitada, as equipas a equipar de encarnado e cujo nome começa por um B, este fim de semana, tiveram sortes semelhantes. Ambas mereciam estar a ganhar por 4 a 0 ao intervalo, mas só na segunda parte se fez justiça e levaram de vencida os seus adversários. Não foi nada fácil porque as equipas pequenas agigantam-se quando jogam contra os primeiros da tabela classificativa.

Meu amigo, o recado de hoje nem é tanto sobre futebol. É para te pedir um conselho. Eu vou viajar de Maputo para Lisboa esta semana, mas não sei bem o que hei de vestir. Será que me podes ajudar? É que ouvi dizer que na capital lusa estavam menos oito graus, parece que o frio é tanto que as pessoas cobrem-se com tudo o que têm à mão, até com lenços brancos!

Amigo, sempre a estimar-te. Não percas os jogos da Primeira Liga Portuguesa. Parece que a luta entre os três primeiros está muito acesa.

Com amizade e consideração,

João Paulo Videira


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Recados para o Meu Amigo Orlando

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Primeiro e Inaugural Recado.

O meu amigo Orlando Meneses pensa que é sportinguista, diz que é sportinguista, fala com sportinguistas, mas, no fundo, no fundo, é um fervoroso benfiquista dos cinco costados. Caso contrário, como explicaríamos que, em cada dez batidas do seu coração, nove fossem pelo Glorioso? Como se explicaria que todos os seus pensamentos, maus e bons, fossem acerca do Benfica? O meu amigo Orlando Meneses pode não saber, mas ele é um fanático benfiquista. A sua mente está quase sempre virada para o Glorioso. E digo quase porque, como é bom homem e um excelente avô, de vez em quando pensa nos netos!

O meu amigo Orlando Meneses é um brincalhão, gosta de metáforas e ambiguidades e palavras matreiras que dizem sem referir, que sugerem sem dizer, que insinuam sem anunciar… e meteu-se comigo.

E eu que sempre andei ali no politicamente correto, na justiça da análise, na busca da honestidade e da verdade, passava a vida a levar bicadas e apertões no nariz. Ai é?! Pois agora, meu amigo, chegou a hora de partir a loiça toda!

Eu bem sei que hoje estavas à espera que eu me refugiasse no aconchego dos lençóis e não viesse às redes sociais por causa da pizza napolitana. Estás enganado, foi só acabar de fumar o meu cigarro falso que um falso presidente de uma quase falsa agremiação me emprestou e vim aqui dizer-te que o nosso Benfica está apurado para os oitavos de final da Champions League onde, como o nome indica, só estão campeões.

Olha, amigo Orlando, o sorteio é terça feira. Encontramo-nos lá. Ou a ti, desta vez, não te apetece ir???? Desta vez? Huummm… cá para mim não sabes o caminho para a sala de sorteios…

A pizza hoje foi um bocadinho indigesta, mas no fim de semana já comemos coisas mais leves. Verdurinha!

Sempre a estimar-te,

João Paulo Videira


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Místicas

Quando ela me olhou, quando me sorriu e estendeu os braços para mim, eu estava a milésimos de segundo de ser surpreendido e, ainda assim, a milhas de distância de saber o quão feliz ela me faria hoje.

Passa um pouco da uma e trinta da manhã, estou na minha cama e escrevo para os meus leitores a história do dia em que a vida me surpreendeu e sorriu. Mas… vamos lá a contar a história pela ordem correta, que é como quem diz, do princípio para o fim.

A Páscoa, este ano, foi em Portugal. Todo o tempo com a família é pouco. Ainda por cima e por causa de um contratempo que houve pelo meio, só foi possível estar nove dias em Portugal. Quando se é emigrante a dez mil quilómetros de casa, em Moçambique, neste caso, todo o tempo que se passa aqui é pouco. Chega para quase nada. É preciso estar com a família, é preciso dar atenção aos mais chegados, é preciso ir ao médico, comprar medicamentos, tratar dos impostos, de inúmeros pormenores de manutenção da casa, comprar bens que fazem falta em Maputo, levar coisas que alguns colegas pediram… muito movimento… muita azáfama.

É evidente que, benfiquista apaixonado e saudavelmente doente pelo Glorioso, não pude deixar de reparar que, durante a minha estadia em Portugal, jogava-se o Benfica – Braga. Jogo a prometer emoções fortes, o estádio a ameaçar encher… Pensei que, se pudesse, se sobrasse tempo, iria… claro. Acontece que só na quarta feira me lembrei de comprar bilhete para sexta feira, 1 de abril… o que me disseram na casa do Benfica de Torres Novas parecia mentira:

– Não há bilhetes. Está tudo esgotado!

Contactei várias casas do Benfica. Entroncamento, Fátima, Alpiarça… nada, sempre em vão, sempre a mesma resposta. Não há bilhetes. Ainda na quarta feira, a comunicação social informou que no dia seguinte seriam vendidos os últimos dois mil bilhetes. Contactei uma amiga que trabalha em Lisboa, pedi-lhe que fosse ao estádio à hora de almoço e tentasse comprar-me dois bilhetes. Um para mim, outro para o meu cunhado. Ela ligou-me a dar a triste notícia. Os dois mil bilhetes esgotaram em vinte minutos.

Decidi não ir hoje a Lisboa. Não valia a pena estar nas imediações do estádio e não ter como entrar. De manhã, levantei-me, tratei de diversos aspetos relacionados com a manutenção da casa, escrevi um pouco, virei-me para o sol primaveril e senti-o aquecer-me a pele. Pela hora de almoço, a minha mulher diz-me que se esquecera de comprar umas coisas em Lisboa que precisava de levar para Maputo:

– Sempre podes tentar encontrar os bilhetes…

– Os bilhetes esgotaram! Qual parte da palavra esgotados é que tu não percebes?!

Mas fiz-lhe a vontade e levei-a a Lisboa. Happy wife, happy life…

Estar junto ao Estádio da Luz fez renascer a esperança até a esperança se esmurrar de encontro à realidade. Na primeira bilheteira que visitei, disseram-me que estava tudo esgotado, na segunda, tudo esgotado, fui à MegaStore do Benfica, tudo esgotado. Não gosto de comprar bilhetes na candonga. Normalmente são falsos. Não perdi tempo com isso. Resolvi aceitar o destino e o destino não queria que eu visse o jogo na Catedral. Aparentemente. Fui a uma loja de roupas e artigos desportivos lá no estádio e decidi recompensar-me comprando a camisola do Benfica. Sorri à menina que me atendeu e pedi-lhe que gravasse jpvideira nas costas.

– Jota, ponto, pê, ponto, Videira?

– Não, não. Não leva pontos. Só as letras.

– Com espaços entre as letras?

– Não. Tudo junto, por favor. JPVIDEIRA tudo junto, sem pontos, nem espaços.

– Muito bem. Volte daqui a quinze minutos.

Durante esses quinze minutos fui a mais uma bilheteira, mas era inútil. Vagueei por ali, cumprimentei o Eusébio e fui, por fim, buscar a camisola. Sorri à menina, perguntei se já estava, que sim, que estava. Agradeci-lhe simpaticamente e foi então que ela me olhou como se me quisesse dizer algo especial, como se procurasse em mim uma história e disse só estas palavras:

– Aqui tem a sua camisola. Tenha um bom jogo.

– Oh… muito obrigado, mas eu não vou ver o jogo. Vim de Maputo para passar uns dias e queria ver o jogo, mas os bilhetes esgotaram…

Ela abriu a caixa registadora, tirou de lá dois bilhetes, estendeu-me a mão com eles e disse:

– Vai ver o jogo pois. Tome divirta-se! São os últimos!

Eu estava incrédulo. Tentara tudo por dois bilhetes, caros que fossem e aquela moça de olhar meigo e sorriso a iluminar a face estava a oferecer-me dois bilhetes… Fiquei sem saber como reagir.

– O que posso fazer por si? Sabe a alegria que me está a dar?

– A única coisa que pode fazer por mim é ir ver o jogo e divertir-se!

– Se não fosse homem chorava…

– Chorar não é vergonha… Ah e já agora… que ganhe o Benfica!

– Que ganhe o Benfica.

Empoleirei-me no balcão, dei-lhe dois beijinhos e fui tirar uma foto com o Rei Eusébio, desta vez eu tinha JPVIDEIRA escrito nas costas e dois bilhetes no bolso!

O resto foi o que se sabe. Uma noite farta e generosa. Cinco a um no marcador, alegria, cânticos, 61042 pessoas a encherem o estádio e… a memória da S. sempre comigo… o seu sorriso, no momento em que me entregou os bilhetes, era mais do que um prognóstico, era a certeza de que a mística benfiquista existe, era a emoção de uma vitória linda a anunciar-se.

E agora vou dormir… mais feliz… com pouca coisa me faço feliz… umas palavras, uma bola jogada na incerteza do resultado, um sorriso, um olhar… um momento mágico à Benfica!

jpv


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Vermelho Direto – Je Suis Sagres

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Vermelho Direto – Je Suis Sagres

Era o que mais faltava. Censura a partir de um clube de futebol.
Toda a gente sabe que sou benfiquista e toda a gente sabe que, quando entendo, zurzo no Benfica. Tenho esse direito. O direito de me expressar. De zurzir em quem me apetece, de dizer o que me apetece dentro das regras do exercício da liberdade, de brincar, de criticar, de gozar e de aceitar com respeito as opiniões dos outros. E zurzo nos adversários do Benfica quando me apetece e a propósito do que me apetece. É só a minha opinião. Não peço a ninguém que concorde comigo, só que respeitem o que penso da mesma forma que respeito os outros.

Para mim, o Rui Patrício sempre foi uma mau guarda-redes, muito inseguro, sobretudo quando a pressão aumenta. Viu-se isso inúmeras vezes ao serviço da Seleção Nacional. No jogo do Sporting contra o Belenenses foi protagonista de duas jogadas caricatas e ridículas, próprias de um tipo que treme como varas verdes quando é precisa fibra.

E a Sagres fez um vídeo, onde nem sequer se vê o guarda-redes do Sporting, a brincar com as trapalhadas que ele fez no estádio do Restelo. Trata-de de alguém a preparar um frango no forno enquanto o jogo evolui e termina com um slogan do tipo Frango à Rui Patrício servido no Restelo.

O presidente do Sporting apressou-se a defender o seu jogador, o que é normal. O que já não é normal é exigir pedidos de desculpas e ameaçar com processos e exercer pressões para que o vídeo saísse de circulação. E saiu. A Sagres retirou o vídeo e pediu desculpas ao jogador. Ou seja, a pressão exercida por Bruno de Carvalho calou a opinião da Sagres, o seu direito a brincar e a gozar com uma situação caricata. A meu ver a Sagres errou. Mas não foi quando publicou o vídeo, foi quando o retirou da web.

Bruno de Carvalho agiu como os extremistas islâmicos: calou aqueles com que não concordava. Felizmente diferiu nos processos e nos meios, felizmente, a proporção do crime não é, nem de perto, a mesma. Mas o crime é o mesmo. O de silenciar aqueles com que não concordamos.

Eu não concordo nem um bocadinho com a linha editorial do “Charlie”, respeito mais os meus amigos islâmicos do que alguma vez respeitarei o semanário francês, mas também fui “Charlie” porque a liberdade de expressão é um pilar da vida social e da democracia. Fui “Charlie” porque não se pode matar em nome de nada, não se pode silenciar os outros só porque não se concorda com eles.

E é por isso que agora sou Sagres. Qualquer pessoa tem o direito de pensar e de expressar a sua opinião acerca da prestação de um jogador de futebol. E a brincar com isso. Ou de um político. Ou de um médico. Ou de um advogado. Ou de um empresário. Ou de um jornalista. Eu sou Sagres porque o que a Sagres fez foi uma brincadeira inofensiva que, naturalmente, incomoda os sportinguistas, mas amanhã poderá ser sobre outros. Ainda me lembro o que gozavam com o SLB quando tivemos como guarda-redes aquele espanhol alto e frangueiro. E também me lembro o que gozaram com o Nuno Espírito Santo quando, ao serviço do Porto, deixou entrar um monumental frango na final da Taça da Liga contra o Benfica. Não me lembro, nem do Benfica, nem do Porto, se terem armado em Prima Donna ofendida. O senhor Bruno de Carvalho há muito que perdeu o controlo do clube que dirige e a noção da realidade. É um homem perdido, à deriva, patético. E depois age desesperadamente tentando provar que é líder quando toda a gente, incluindo muitos sportinguistas, se envergonham com as figuras que ele faz. Mas conseguiu calar uma brincadeira. Conseguiu censurar. Conseguiu matar a liberdade de expressão de uma instituição. O senhor Bruno de Carvalho pode ser presidente do Sporting, mas não pode ser censor de coisa nenhuma.

Eu sou Sagres! E o Rui Patrício é um frangueiro!

Tenho dito!
jpv


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Vermelho Direto – Claques e Presidentes

66284-red-card-sexyVermelho Direto – Claques e Presidentes

Sejamos diretos e frontais.

1) Eu sou contra todo o tipo de claque de futebol organizada e apoiada por um clube. Esse tipo de organização nunca trouxe nada de positivo ao futebol português e, por mim, poderiam e deveriam acabar todas.

2) Eu abomino o que se passou no pavilhão da Luz, nomeadamente, a evocação, através de uma tarja, de um dos mais trágicos e condenáveis incidentes, a meu ver a configurar um homicídio, do futebol português.

Dito isto. Tomando estes dois pressupostos para início de conversa, não me parece que qualquer clube dos grandes, e não só, possa acusar os outros. A verdade é que todas as claques já perpetraram atos de violência inomináveis. E, sim, um dos mais recentes foi a vandalização do estádio da Luz por adeptos sportinguistas que queimaram umas centenas de cadeiras. Nunca ouvi uma declaração pública de repúdio como ouvi esta semana por parte do presidente do Benfica em relação à abominável tarja. Penso que Luís Filipe Vieira esteve muito bem em relação ao que disse e quando disse. Se eu fosse sportinguista, também gostaria que ele tivesse dito mais cedo, mas a verdade é que estava uma investigação a correr e esses processos requerem alguma prudência. De resto, o presidente do Benfica tocou no ponto certo da ferida: o problema não é esta ou aquela claque, o problema que é preciso atacar é o da violência no futebol. E, no seu discurso condenou claramente o ato. Isso é inequívoco.

Bruno de Carvalho esteve igual a si próprio: mal! Dificilmente estaria pior. Cortar relações em vez de unir esforços, culpar um adversário para branquear um empate que compromete o título, são marcas de atuação que, infelizmente, já vão sendo hábito no atual presidente do Sporting. Quase apetece perguntar com quem é que ele ainda não cortou relações dentro e fora do Sporting? Bruno de Carvalho não veio para acrescentar nada ao futebol português, veio para destruir. E tem conseguido. O Sporting, por exemplo, está de rastos. O treinador não tem paz, está uma pilha de nervos, os jogadores andam perdidos em campo e não, não jogaram bem contra o Benfica, se tivessem jogado bem, tinham ganho por vários a zero porque o SLB, infelizmente, esteve muito fraco, mas suficientemente forte para marcar quando precisou, e toda a estrutura anda em ansiedade. É vê-los a comemorar golos contra o Penafiel, o Arouca e o Belenenses como se fossem os golos das suas vidas. É vê-los a serem campeões dos empates. É ver a figura ridícula e humilhante que um, outrora, muito bom guarda-redes, fez ontem no jogo contra o Belenenses. Patrício, que não merece, foi a imagem de um Sporting instável e esfrangalhado não obstante ter um bom punhado de jovens jogadores. Inácio um excelente ex-jogador e ex-treinador era, no banco, a imagem do desespero provocado pela instabilidade e pelo desacerto da equipa.

Penso que os tipos da claque que colocou a tarja deveriam ir a tribunal, cumprir pena de prisão e nunca mais pôr os pés num estádio de futebol.

Penso que Bruno de Carvalho deveria ter um assomo de consciência e sumir de mansinho.

Penso que Luís Filipe Vieira está obrigado a levar o inquérito e a investigação até ao fim e a identificar e banir os culpados para fora do SLB.

Tenho dito!
jpv


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Vermelho Direto – Cá Dentro e Lá Fora

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Vermelho Direto – Cá Dentro e Lá Fora

Da mesma forma que considero o Benfica a melhor equipa portuguesa a jogar em Portugal neste momento da temporada, também a considero a pior equipa portuguesa a jogar nas competições europeias.

E este raciocínio não está ligado somente aos resultados. Internamente, o SLB é a equipa mais eficaz, mais competitiva e está na frente do campeonato com toda a justiça. Logo depois, vem, a meu ver, a coesão coletiva do FC Porto seguida da juventude voluntariosa do SC Portugal. O SLB interno resolve melhor os problemas, é mais experiente e tem um grande sentido de gestão do jogo. Por outro lado, alguns dos reforços desta época são bons para consumo nacional. Os mesmos que gozaram com os maus resultados da pré-época benfiquista, têm agora de olhar para cima na tabela classificativa para vislumbrarem os encarnados lá no topo.

No que respeita às competições europeias, o FC Porto é a equipa mais consistente, o SC Portugal é a que joga o melhor futebol e o Benfica, infelizmente, não é uma coisa nem outra. Mesmo tendo em conta que o grupo do Benfica é claramente, e de longe, o mais difícil, exigia-se outra organização, exigia-se outra experiência e, sobretudo, mais raça e dedicação em campo. O Benfica europeu é muito fraquinho porque não tem centrais à altura da competição e não tem um conjunto de médios à altura da competição como não tem, também, um banco que ofereça soluções. Vai perder o grupo e sem surpresa ficará em último. O que não é mau de todo. Poderá concentrar-se em revalidar alguns dos muitos títulos que conquistou na época passada, em que, note-se, arrasou toda a concorrência em todas as frentes.

Se eu tenho esperança? Depende. Nas competições nacionais tenho. Nas internacionais não. É curioso que no ano passado por esta altura, o Glorioso perdeu por 3-0 com o PSG e, a partir dessa derrota, construiu uma época notável. Quem dera que o resultado de ontem tivesse o mesmo efeito.

A ver vamos.

Tenho dito!

jpv


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Vermelho Direto – Quem Ganhou o Dérbi?

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Vermelho Direto – Quem Ganhou o Dérbi?

A meu ver, quem ganhou o Benfica – Sporting desta noite foi o F.C. do Porto. E nem sequer faço esta referência porque o Porto ganhou tranquilamente ao Moreirense e ficou à frente na classificação. Faço-a porque é, nesta fase, a equipa mais bem preparada, que joga melhor futebol e que tem mais recursos. Se o panorama não se alterar, o Porto será campeão tranquilamente.

O Sporting continua fraco. É a pior das três equipas. Joga muito pouquinho, não obstante estar muito bem organizada. Esta noite, empatou sem ter construído um único golo. Limitou-se a aproveitar um erro indesculpável do guarda-redes benfiquista que está a precisar de descanso e… um par de patins. A equipa promete e até tem soluções, mas não é incisiva nem tem maturidade. E, ao contrário da maioria dos adeptos de futebol, eu não penso que o Nani tenha sido uma boa aquisição. Veio tirar a oportunidade a verdadeiros bons jogadores como o Mané, por exemplo, além de ser um jogador já muito lento e previsível. Se o jovem William Carvalho for transferido até amanhã à noite, o Sporting torna-se uma equipa vulgar.

O Benfica tem uma boa estrutura e ainda conserva bons jogadores. Os suficientes para jogar francamente melhor que o Sporting. Contudo, se a venda de jogadores se consegue disfarçar em campo, ela é confrangedoramente visível no banco de suplentes. Esta noite, Jorge Jesus fez uma substituição aos 86 minutos. Não é que não quisesse fazer outras, mas não tinha lá ninguém. E é por aí que a época nos pode correr mal. A verdade é que sem banco de suplentes e com a possibilidade ainda bem provável de Enzo ser transferido, o Glorioso fica sem argumentos para discutir qualquer título.

O jogo foi muito equilibrado e o resultado aceita-se embora só o Benfica tenha procurado ganhar. O árbitro esteve bem. Penso que se equivocou na jogada em que mostrou cartão amarelo ao Maxi Pereira. Nessa jogada deveria ter expulsado o jogador do Sporting por agressão. A fama e, em muitos casos, o proveito do Maxi, hoje, custaram-lhe caro. Em todo o caso, não era fácil ver o movimento do jogador do Sporting. Jogo morno, num início de temporada também a meio gás.

Tenho dito!

jpv


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Vermelho Direto – Novo Ano, Velhos Hábitos

66284-red-card-sexyVermelho Direto – Novo Ano, Velhos Hábitos

Começou a nova época futebolística, mas quase podia dizer-se que tinha continuado uma das anteriores. Há poucas mudanças. Ainda só se jogou uma jornada e os três candidatos do costume ao título já estão nos primeiros lugares: Benfica, Porto e Braga.

Muito se disse acerca dos maus resultados do Benfica na pré-época, mas a verdade é que a equipa disse presente. Já ganhou  a Supertaça e venceu, sem espinhas, o Paços de Ferreira, na primeira jornada. Ainda não é o Benfica da época passada, mas está próximo disso. A pré-época foi só isso mesmo. Os jogos a sério começam agora e nesses as vitórias têm surgido. Claro que os jornais venderam a equipa toda, mas afinal, a sangria não foi assim tão desatada.

O Porto está bem. Fala-se muito espanhol para aquelas bandas, mas a verdade é que a equipa está competitiva e vai ser uma candidata séria ao triunfo nas diversas competições em que estiver inserida.

O Braga melhorou imenso com o novo treinador, Sérgio Conceição, e volta a perfilar-se com a ambição que se lhe reconheceu recentemente.

O Sporting foi a equipa que começou mais instável. No mesmo jogo, jogou bem, jogou mal, cometeu erros desastrados, viu um jogador expulso e sofreu um golo nos descontos. Na pré-época as coisas correram bem, mas entretanto acabaram os jogos a brincar e, como se já não bastassem as naturais dificuldades da competição, a organização do clube e, em particular, o seu presidente, resolveram ser vedetas. Geriram mal e publicamente assuntos que careciam de tato e privacidade. E, de repente, a equipa vê-se auto-privada de dois titulares indiscutíveis, bons jogadores, com excelentes registos pelas suas seleções no recente Mundial de Futebol.

E pronto, é quase tudo. Uma nota para referir que considero uma decisão descabida o facto de regressarmos a um campeonato com mais equipas, 18, é absolutamente de loucos e só num país à deriva é que as autoridades permitem esta mudança.

Para já é tudo, a bola continua a rolar dentro de momentos.

jpv


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Rapidinhas da Copa – Desceu o Pano

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Rapidinhas da Copa – Desceu o Pano

É atribuída a Gary Lineker, avançado inglês, a frase “No futebol são onze contra onze e no fim ganha a Alemanha”. Esta frase enferma de imprecisão. O que Lineker disse, exatamente, foi o seguinte: “O futebol é um jogo para 22 homens, 11 de cada lado. Os jogadores chutam a bola de um lado para o outro. A bola tem de entrar numa baliza, defendida por um guarda-redes. O jogo demora 90 minutos e no final ganha sempre a Alemanha.”

E a sentença cumpriu-se. Ganhou uma das melhores equipas em campo na Copa 2014. As que eu gostei mais foram mesmo a Holanda e a Colômbia, contudo, a Alemanha, mostrou-se muito organizada, muitíssimo eficaz e defensivamente muito segura.

Este Campeonato do Mundo foi, na minha opinião, o mais espetacular de sempre. Teve de tudo um pouco. Trouxe a lata de espuma para a barba a marcar o traço contínuo da barreira, trouxe o olho de falcão a ajudar o árbitro nas decisões difíceis, trouxe paragens intermédias, uma espécie de intervalos mais pequeninos, para os jogadores se refrescarem, teve arbitragens com decisões muito duvidosas, teve agressões em campo, teve agressões em campo por jogadores da mesma equipa (!), teve golos salvadores, mesmo na última jogada, teve prolongamentos, teve penaltis concretizados e defendidos, teve golos do outro mundo como os de Van Persie à Espanha e o de James Rodrigues ao Uruguai, teve dentadas em campo, teve jogos com muitos golos, mais do que um 4-0, um 5-1, um 5-2 e um 7-1. Teve imensos golos. Teve saídas prematuras de candidatos ao título, teve o descalabro da canarinha que em dois jogos sofreu dez golos e marcou um. Teve árbitros que intercetaram jogadas e houve mesmo um que, inadvertidamente, fez um passe e desmarcou um jogador, teve lesões graves, houve sangue em campo, teve equipas sensação como a Costa Rica e a Colômbia e teve lágrimas dentro e fora das quatro linhas. Teve seleções, como a portuguesa, com grande nível estético no âmbito das barbas e dos cabelos e das tatuagens, mas com poucos argumentos além desses. Teve quem gozasse com Portugal, chamando-lhe de “piada”, mas depois teve de engolir a gozação da pior forma. Teve uma belíssima cerimónia de abertura e teve uma organização soberba e nisso, o Brasil está de parabéns.

Sim, houve mais coisas nos últimos trinta dias do que a Copa 2014, mas tudo isso interessou muito pouco. O folclore multinacional do torneio dominou as cores, a paisagem, os noticiários e as conversas. E agora, cada um de nós, volta ao seu quotidiano, às suas rotinas até que em 2018, na Rússia, volte a haver tudo isto de novo!

jpv


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Rapidinhas da Copa – 7-1

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Rapidinhas da Copa – 7-1

Não vou analisar o jogo nem fazer piadas. Analisar não me apetece e fazer piadas também não. De resto, uma e outra coisa estão feitas.

Vou só referir-me ao pior momento do jogo Brasil 1 – Alemanha 7. De todos os momentos possíveis, aquele que marca mais negativamente este jogo são as declarações de Felipe Scolari no final do jogo. Assobiou para o lado. Disse que tinham estado muito bem, menos naqueles dez minutos e disse que ia continuar tudo na mesma.

Não vai. É impossível que vá. Uma derrota desta dimensão, com uma humilhante incapacidade de reação, demonstra que taticamente o Brasil não estava preparado, que a organização falhou com estrondo. É preciso assumir isso e corrigir. É preciso evoluir. Não foi o Brasil que perdeu com a Alemanha. Foi todo o conceito de futebol sul americano que foi esmagado pelo conceito europeu. Haverá lugar aos craques e ao talento, mas terá de haver, também, organização, rigor tático, jogadas estudadas, mecanismos intuídos. Infelizmente para quem, como eu, gosta de ver a Canarinha ganhar, nada disso existiu, mas Scolari diz que está tudo bem.

Felipão, está tudo mal, cara! Deixa de ser teimoso, sai com dignidade, assume que errou e dá o lugar para outro!

jpv