Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Recusa

recusa-sensual

Gosto quando me recusas
E as palavras
Que usas
Chamam por mim.
Gosto quando anuncias o fim
E tudo me soa
A desejo.
Gosto do teu beijo
Zangado
E refilão.
Gosto dessa tua
Negação
Sensual e atrevida.
Contigo,
A vida
É mais vivida.
E gosto quando
Me viras as costas
E tuas mãos
Continuam postas
No meu corpo.

Não mudes, meu amor.
Esse teu desatino
Traz som e cor
Ao filme
Da minha vida.
Gosto de ti,
Sempre,
Até na partida.

E quando já não puder amar,
Em meus dias longos e envelhecidos,
Quero entregar no teu regaço
O que sobrar dos meus sentidos.

jpv


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Doce

08bad-pes

Gestos redondos
E suaves.
Olhar curioso.
Sorriso feiticeiro
Onde trazes
A tentação
E a doçura.
Tua distância
É tortura
E teu não
Desespero.
Negas-me com delicadeza
E esmero.
E não sei
Como conquistar-te.
Teu território
Exige tempo
E arte.
Não me tentes!
Não me digas
Não!
E não me digas
Sim!
Deixa morrer
Em mim
A esperança de ter-te.
Um dia
Não é mais que um dia.
Um olhar
Não é mais que um olhar.
É o desejo de tocar-te
Que me consome.
É de ti
Esta imensa
E insana fome
De prazer.
Se não me queres,
Afasta-te de mansinho
E deixa-me
Morrer.

jpv


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Religião

couple

Gosto da tua voz serena
E do teu olhar sem pressa.
Gosto de sentir na tua pele
O nascer de uma promessa.
E gosto quando me tocas
E finges não ter tocado.
Gosto desse sorriso despercebido
Por cima do colo decotado.
E gosto dos teus seios firmes
Quando me roçam devagarinho.
Gosto das tuas palavras quentes
Quando me pressentes sozinho.
E gosto quando à noite
Te chegas a mim
E me sussurras ao ouvido
Que retome no altar do teu corpo
O ritual todas as noites repetido.

És minha deusa profana,
Senhora da minha oração.
És minha virtude e meu pecado,
Minha fé e minha religião.
E gosto quando me despes
Das roupas e do pudor.
Gosto quando me incendeias no sexo
A insana chama do amor.

E quero ter-te, então,
Sob meu corpo e meu suor,
À procura do momento
Em que o grito se faz maior.
Ouve, meu amor…
Descansemos agora,
Faz frio lá fora
E o mundo foi dormir.
De tudo o que resta viver,
Já pouco falta cumprir.

Gosto da tua voz serena
E do teu olhar sem pressa.

jpv


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Versos Imperfeitos

sensual

São pobres, os meus versos,
Fracos e dispersos,
Repetindo meu desejo
E meu amor.
São imperfeitas, as minhas rimas,
Faltam-lhe sonoridades finas
Cantando tua figura,
Nosso despudor.
É desajeitada, a minha poesia,
Falta-lhe génio e fantasia
Desenhando nossos corpos
Em desatino e suor.

Mas, meu amor,
Para que servem os versos
Senão para cantar-te?
Para quê as rimas
Senão para amar-te?
E para quê a poesia
Senão para inaugurar-te
O desejo e o desalinho?
Sem as palavras
Sou um homem sozinho,
Sem a imperfeição
Destes versos,
Não há perfeição
Que me satisfaça.

É a ti que canto!
És minh’ alma
E meu espanto,
Minha ousadia
E meu encanto.
E se não servirem
Estes versos
Para gritar o desejo e o prazer,
Mais vale fechar os olhos
E morrer.

jpv


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Transgressão

bw-body-07

Transgride em meu corpo!
Vem conhecer as fronteiras
E inaugurar os limites.
Vem amar-me noites inteiras
Antes que eu me perca e tu fiques
À beira do nada.

Vem usar-me!
Vem despir-me de mim.
Vem castigar-me.
E vem devorar-me no fim!

Vem oferecer-me teu corpo.
Traz-me esse tesouro.
Traz-me a loucura e a ousadia.
Traz-me o suor e a vertigem
Até ser outro dia.

Esse amanhecer em doce pecado,
Esse amor mal jurado,
E essa entrega absoluta.
Vem saciar-me da luta
Que é debater-me  com a tua ausência.
Há nisto tudo
Muito de impulso
E quase nada de ciência.

Vem desacertar-me as horas,
Vem destruir-me os caminhos feitos.
Atira-te ao corpo
E aos preconceitos
E despe-nos ambos.

Vem para junto de mim!
Ser meu princípio
E meu fim.

Vem começar
E vem terminar.
Vem inaugurar
E vem encerrar a sessão.
Inquieta-se-me a alta
E agita-se-me o corpo
Por não ver tua roupa no meu chão.

Anda cá!
Transgredir todas as leis.
Anda cá!
Ser tu em mim.
Vamos os dois construir a culpa
E viver juntos e apaixonados
O remorso dos culpados.

jpv


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Jogo Mal Jogado

a-pensar-em-ti

Quando tua pele me toca,
Não é o mesmo que deixar-se tocar.
Quando teu corpo me convoca,
Não sou eu que te estou a convocar.
Quando teu olhar me olha
E me atira lanças de desejo,
Não sou eu a suplicar-te
Húmido e despudorado beijo.
Quando teu corpo chama pelo meu,
Em seu jeito desajeitado,
Não sou eu a imaginá-lo
Em cama de luxúria deitado.
E quando me chamas e me suplicas,
Com teu olhar tímido e tentador,
Não sou eu a convidar-te
Para o doce enlevo do amor.

E é por isso que não percebo,
Neste jogo mal jogado,
Quem seja o anfitrião,
E quem faça de convidado.

jpv


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Parabéns Atrasados e Gratidão em Dia.

8

“Mails para a minha Irmã” fez anos na passada sexta feira. Oito!

Oito anos de fé e esperança nas palavras escritas com devoção, oito anos de rasuras e emendas, oito anos de riscos e aventuras.

Sempre, e só, por mim e por vós, aí, desse lado.

Tantos poemas depois, tantos contos e crónicas e até alguns romances depois, ainda o mesmo gosto pelas palavras e a certeza única de que, se não for por mais nada, será sempre por vós!

Obrigado!

jpv

 


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Pôr-do-Sol

pordosol

Tens a liberdade que foi minha,
Tens a canção e o gesto acertado,
Tens o tempo e a opção.
Vives cada passada
Como quem caminha
Em estrada de ilusão.

E sorris ao perigo
E ao desafio.
Tentas sem risco
Nem cálculo,
E corres desenfreado como o rio
Que sabe onde fica o mar.

E tens o amor
Em passadeira estendido.
Tens essa ousadia,
E esse fulgor
De quem não vive arrependido.

Não contas os dias,
Não precisas do tempo,
Não queres o exemplo,
Com que me desafias…

E vives.
E desvives-me os conceitos
E as emoções.
Despregas-me as mãos da Cruz
E lambes-me os rasgões
Na carne
Como se pudesses…
Como se nada mais fizesses…

É já o Sol a por-se.
É já o declínio do dia,
Uma luz amarga e fugidia
Pinta as tardes.
E esse fogo que ardes
E foi em tempos meu
Deixou-me e morreu.

jpv


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Índica Paisagem

chongoene-mpmi

Um espetáculo de luz,
Uma emoção que conduz.
Uma ave que corta o ar.
E o mar!

Uma brisa suave,
Uma suave aragem.
Uma casinha na encosta
A desenhar a paisagem.

O poderoso Índico ao pés,
Uma baleia imensa a emergir,
E no centro do que és,
Um frémito mudo de sentir.

Uma glória e uma esperança.
Um olhar que não cansa.
Toma-te a paz dos tempos
De frente para o mar
Que ruge e dança.

És maior que o Mundo
À proa dos sentimentos.
Enfrentas chuvas e ventos
E sentes a alma saciada.

Aqui,
Comandas o mar e a vida
Debruçado n’amurada.

Ó Tempo infinito!
Ó Senhor do Universo!
Tirai-me do peito este grito
Que não cabe em tão singelo verso.

jpv


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Sementeira

sementeira

No início, era um quase sorriso,
Um esgar.
Um olhar tímido e indeciso,
Um choro contido,
A preocupar.

Depois desse tempo inicial,
Em que não me vias
Ainda,
Chegou a coisa mais linda.
Uma esperança.
Um gesto de confiança,
As tuas mãos mais perto,
Um sorriso aberto.

Foi tempo de me falares
Com emoção,
De me olhares como quem pede,
De me estenderes palavras
À passagem,
De fazermos a viagem
Dos riscos
E do prazer.

E chegou, por fim, o infinito.
O lânguido e ocioso grito
Durante e depois do sexo.
Veio o tempo do côncavo
E do convexo.
Veio o tempo de me incendiares
A carne
Com a saliva do teu desejo,
Uma gula voraz,
Em sentido e profundo beijo.
E tuas mãos tomaram conta de mim,
Novos gritos e urros
E carícias sem fim…

E houve a descoberta!
Não está mais deserta
A planície do teu corpo.
Está semeada de mim!

jpv
Imagem daqui.