Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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E havia tanto mar…

Não houve…
Não poderia ter havido.
Foi sempre um mar incerto,
Uma embarcação sem rumo
Nem sentido.

Não tem mais
Cavalos selvagens nos teus cabelos.
Não tem mais
Borboletas coloridas nos teus lábios.
Sucumbiste
Aos conselhos sábios
Da razão e da prudência.
Presente…
Só a ausência.

E havia tanto mar.
Havia tanto marinheiro.
Havia um homem por inteiro
E um desejo a saciar.
E agora
Há só este chão queimado,
Este deserto desolado
De ter-te.

Nem me viste.
Nem chegaste a ignorar-me.
Poeta sem poesia.
Modelo sem charme.
Músico sem notas.
Coração vazio
De onde brotas
Sem nunca
Teres entrado.
Só este terreno inóspito,
Este chão queimado.

Não houve…

João Paulo Videira

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Jogo Mal Jogado

a-pensar-em-ti

Quando tua pele me toca,
Não é o mesmo que deixar-se tocar.
Quando teu corpo me convoca,
Não sou eu que te estou a convocar.
Quando teu olhar me olha
E me atira lanças de desejo,
Não sou eu a suplicar-te
Húmido e despudorado beijo.
Quando teu corpo chama pelo meu,
Em seu jeito desajeitado,
Não sou eu a imaginá-lo
Em cama de luxúria deitado.
E quando me chamas e me suplicas,
Com teu olhar tímido e tentador,
Não sou eu a convidar-te
Para o doce enlevo do amor.

E é por isso que não percebo,
Neste jogo mal jogado,
Quem seja o anfitrião,
E quem faça de convidado.

jpv