Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Tenho Poemas

palavras

Tenho poemas inteiros
Escritos a sangue
No peito.
E tenho poemas inacabados
No peito rasgados
A sangue.
Tenho palavras soltas
Sem destino nem jeito.
Restos de vida,
Gotejar impreciso
De um ideário morto.
Tenho linhas a direito
Com sentimentos a torto.
E tenho este grito
Que não sai.
Este mudo vociferar
Contra mim
E contra o fim
Que tarda em chegar.
Tenho palavras salgadas
E doces mentiras.
Tenho musas inspriradoras
E suaves liras.
E tenho este muro de impotência,
Esta coisa que não é Deus
E também não é Ciência.
Um sacrifício absurdo,
Um caminho doloroso.
Um querer tanto,
E tanto brilho,
Que torna mais penoso
O trajeto na escuridão.
Tenho tanto Sim
E vivo tanto Não.

jpv

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Transgressão

bw-body-07

Transgride em meu corpo!
Vem conhecer as fronteiras
E inaugurar os limites.
Vem amar-me noites inteiras
Antes que eu me perca e tu fiques
À beira do nada.

Vem usar-me!
Vem despir-me de mim.
Vem castigar-me.
E vem devorar-me no fim!

Vem oferecer-me teu corpo.
Traz-me esse tesouro.
Traz-me a loucura e a ousadia.
Traz-me o suor e a vertigem
Até ser outro dia.

Esse amanhecer em doce pecado,
Esse amor mal jurado,
E essa entrega absoluta.
Vem saciar-me da luta
Que é debater-me  com a tua ausência.
Há nisto tudo
Muito de impulso
E quase nada de ciência.

Vem desacertar-me as horas,
Vem destruir-me os caminhos feitos.
Atira-te ao corpo
E aos preconceitos
E despe-nos ambos.

Vem para junto de mim!
Ser meu princípio
E meu fim.

Vem começar
E vem terminar.
Vem inaugurar
E vem encerrar a sessão.
Inquieta-se-me a alta
E agita-se-me o corpo
Por não ver tua roupa no meu chão.

Anda cá!
Transgredir todas as leis.
Anda cá!
Ser tu em mim.
Vamos os dois construir a culpa
E viver juntos e apaixonados
O remorso dos culpados.

jpv


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Ainda e Já.

Ainda e Já.

Ainda amanhecem azuis,
Os céus.
Ainda doura o sol,
Pela manhã.
Ainda são verdejantes
As imensas copas das árvores.
Ainda cantam, as aves,
Em voos acrobáticos.
Ainda correm os rios,
Para o mar.
E esse mesmo mar,
Ainda fustiga a areia
Com estrondo.
Só o meu olhar mudou.
Já te não vejo como dantes,
Já me não queres
Como os amantes
Se querem na praia.
Já desisto.
Já me abandono aos dias.
E já morro.

jpv