Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Recados para o Meu Amigo Orlando

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Terceiro e Acenante Recado.

Querido amigo, Orlando Meneses,

Como tu bem viste, eu sei que não perdes pitada, as equipas a equipar de encarnado e cujo nome começa por um B, este fim de semana, tiveram sortes semelhantes. Ambas mereciam estar a ganhar por 4 a 0 ao intervalo, mas só na segunda parte se fez justiça e levaram de vencida os seus adversários. Não foi nada fácil porque as equipas pequenas agigantam-se quando jogam contra os primeiros da tabela classificativa.

Meu amigo, o recado de hoje nem é tanto sobre futebol. É para te pedir um conselho. Eu vou viajar de Maputo para Lisboa esta semana, mas não sei bem o que hei de vestir. Será que me podes ajudar? É que ouvi dizer que na capital lusa estavam menos oito graus, parece que o frio é tanto que as pessoas cobrem-se com tudo o que têm à mão, até com lenços brancos!

Amigo, sempre a estimar-te. Não percas os jogos da Primeira Liga Portuguesa. Parece que a luta entre os três primeiros está muito acesa.

Com amizade e consideração,

João Paulo Videira

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Recados para o Meu Amigo Orlando

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Segundo e Picante Recado

Amigo Orlando,

eu bem sei que tu querias que o nosso Benfica ganhasse por muitos, mas a verdade é que aquela pequena equipa que hoje nos visitou fez muito anti-jogo. Se não me engano, foram umas 74 faltas sem que tivesse havido as expulsões que as leis do jogo mandam.

A verdade, meu amigo, é que aquela pequena equipa de verde produz muito, mas concretiza pouco e, sobretudo, tem uma defesa de manteiga. O guarda redes do nosso Glorioso fez toda a diferença porque é o melhor em Portugal e no mundo. E depois, o nosso ataque não vacila.

Enfim, hoje ao jantar comi uns grelinhos macios e fáceis de trincar. Tive de lhes acrescentar uma malagueta mexicana bem encarnadinha para ganharem mais sabor. Só não gostei de um tipo de preto que andava ali pelo meio a cortar as jogadas de ataque do grande Benfica e sorrir para o WC.

Golos bonitos e alarga-se a vantagem pontual. 4 pontos de vantagem sobre o 2º classificado e a seguir já nem sei quem seja o terceiro, isso já é lá muito para o fundo da tabela. Ainda bem que o Jesus na terra fez descansar os pastorinhos na Polónia e se auto-eliminou das competições europeias. Ganhou muito com isso. Muito inteligente o JJ. Ainda bem que mudou de apartamento. A pouco e pouco lá vai conseguindo o mesmo que o ano passado que é perder tudo. Mesmo com as jogadas do costume que é os vouchers e os insultos gratuitos.

Mas pronto, estes já estão, para a semana há mais, mas parece que vamos ter um adversário a sério, o grandioso Estoril.

Olha, meu amigo, não me respondas já. Respira fundo, vai lá contar os penaltis por marcar que devem ter sido mais de vinte mil. É que agora vou dormir que nem um bebé e sonhar com os voos da águia.

Um abraço vermelhão,

João Paulo Videira


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Místicas

Quando ela me olhou, quando me sorriu e estendeu os braços para mim, eu estava a milésimos de segundo de ser surpreendido e, ainda assim, a milhas de distância de saber o quão feliz ela me faria hoje.

Passa um pouco da uma e trinta da manhã, estou na minha cama e escrevo para os meus leitores a história do dia em que a vida me surpreendeu e sorriu. Mas… vamos lá a contar a história pela ordem correta, que é como quem diz, do princípio para o fim.

A Páscoa, este ano, foi em Portugal. Todo o tempo com a família é pouco. Ainda por cima e por causa de um contratempo que houve pelo meio, só foi possível estar nove dias em Portugal. Quando se é emigrante a dez mil quilómetros de casa, em Moçambique, neste caso, todo o tempo que se passa aqui é pouco. Chega para quase nada. É preciso estar com a família, é preciso dar atenção aos mais chegados, é preciso ir ao médico, comprar medicamentos, tratar dos impostos, de inúmeros pormenores de manutenção da casa, comprar bens que fazem falta em Maputo, levar coisas que alguns colegas pediram… muito movimento… muita azáfama.

É evidente que, benfiquista apaixonado e saudavelmente doente pelo Glorioso, não pude deixar de reparar que, durante a minha estadia em Portugal, jogava-se o Benfica – Braga. Jogo a prometer emoções fortes, o estádio a ameaçar encher… Pensei que, se pudesse, se sobrasse tempo, iria… claro. Acontece que só na quarta feira me lembrei de comprar bilhete para sexta feira, 1 de abril… o que me disseram na casa do Benfica de Torres Novas parecia mentira:

– Não há bilhetes. Está tudo esgotado!

Contactei várias casas do Benfica. Entroncamento, Fátima, Alpiarça… nada, sempre em vão, sempre a mesma resposta. Não há bilhetes. Ainda na quarta feira, a comunicação social informou que no dia seguinte seriam vendidos os últimos dois mil bilhetes. Contactei uma amiga que trabalha em Lisboa, pedi-lhe que fosse ao estádio à hora de almoço e tentasse comprar-me dois bilhetes. Um para mim, outro para o meu cunhado. Ela ligou-me a dar a triste notícia. Os dois mil bilhetes esgotaram em vinte minutos.

Decidi não ir hoje a Lisboa. Não valia a pena estar nas imediações do estádio e não ter como entrar. De manhã, levantei-me, tratei de diversos aspetos relacionados com a manutenção da casa, escrevi um pouco, virei-me para o sol primaveril e senti-o aquecer-me a pele. Pela hora de almoço, a minha mulher diz-me que se esquecera de comprar umas coisas em Lisboa que precisava de levar para Maputo:

– Sempre podes tentar encontrar os bilhetes…

– Os bilhetes esgotaram! Qual parte da palavra esgotados é que tu não percebes?!

Mas fiz-lhe a vontade e levei-a a Lisboa. Happy wife, happy life…

Estar junto ao Estádio da Luz fez renascer a esperança até a esperança se esmurrar de encontro à realidade. Na primeira bilheteira que visitei, disseram-me que estava tudo esgotado, na segunda, tudo esgotado, fui à MegaStore do Benfica, tudo esgotado. Não gosto de comprar bilhetes na candonga. Normalmente são falsos. Não perdi tempo com isso. Resolvi aceitar o destino e o destino não queria que eu visse o jogo na Catedral. Aparentemente. Fui a uma loja de roupas e artigos desportivos lá no estádio e decidi recompensar-me comprando a camisola do Benfica. Sorri à menina que me atendeu e pedi-lhe que gravasse jpvideira nas costas.

– Jota, ponto, pê, ponto, Videira?

– Não, não. Não leva pontos. Só as letras.

– Com espaços entre as letras?

– Não. Tudo junto, por favor. JPVIDEIRA tudo junto, sem pontos, nem espaços.

– Muito bem. Volte daqui a quinze minutos.

Durante esses quinze minutos fui a mais uma bilheteira, mas era inútil. Vagueei por ali, cumprimentei o Eusébio e fui, por fim, buscar a camisola. Sorri à menina, perguntei se já estava, que sim, que estava. Agradeci-lhe simpaticamente e foi então que ela me olhou como se me quisesse dizer algo especial, como se procurasse em mim uma história e disse só estas palavras:

– Aqui tem a sua camisola. Tenha um bom jogo.

– Oh… muito obrigado, mas eu não vou ver o jogo. Vim de Maputo para passar uns dias e queria ver o jogo, mas os bilhetes esgotaram…

Ela abriu a caixa registadora, tirou de lá dois bilhetes, estendeu-me a mão com eles e disse:

– Vai ver o jogo pois. Tome divirta-se! São os últimos!

Eu estava incrédulo. Tentara tudo por dois bilhetes, caros que fossem e aquela moça de olhar meigo e sorriso a iluminar a face estava a oferecer-me dois bilhetes… Fiquei sem saber como reagir.

– O que posso fazer por si? Sabe a alegria que me está a dar?

– A única coisa que pode fazer por mim é ir ver o jogo e divertir-se!

– Se não fosse homem chorava…

– Chorar não é vergonha… Ah e já agora… que ganhe o Benfica!

– Que ganhe o Benfica.

Empoleirei-me no balcão, dei-lhe dois beijinhos e fui tirar uma foto com o Rei Eusébio, desta vez eu tinha JPVIDEIRA escrito nas costas e dois bilhetes no bolso!

O resto foi o que se sabe. Uma noite farta e generosa. Cinco a um no marcador, alegria, cânticos, 61042 pessoas a encherem o estádio e… a memória da S. sempre comigo… o seu sorriso, no momento em que me entregou os bilhetes, era mais do que um prognóstico, era a certeza de que a mística benfiquista existe, era a emoção de uma vitória linda a anunciar-se.

E agora vou dormir… mais feliz… com pouca coisa me faço feliz… umas palavras, uma bola jogada na incerteza do resultado, um sorriso, um olhar… um momento mágico à Benfica!

jpv


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Vermelho Direto – Crónica Polémica sobre o Colinho!

benfica-bicampeao-34Já está! Doa a quem doer, o Benfica venceu o seu 34º título nacional e é bicampeão nacional.

Esta crónica não será simpática. Não pretende sê-lo. Será o reflexo racional e desapaixonado da forma louca e apaixonada como vivo o meu Benfica.

Mérito
É todo dos jogadores, da equipa técnica e da direção do SLB. O Benfica é, neste momento, o clube mais bem gerido de Portugal. Supostamente ia perder tudo porque vendeu todos os bons jogadores que tinha. E, afinal, quem se lembra deles? Jorge Jesus geriu o plantel com muita sabedoria, foi pragmático, ganhou quando precisou, empatou quando quis e perdeu quando não conseguiu melhor. Expressa-se mal, faz frases sem sentido e diz disparates, mas, que eu saiba, ninguém o contratou para dar aulas de português. Na sua profissão é o melhor de Portugal. O Benfica não jogou sempre bem, mas foi a equipa mais regular e mais competente. Há sempre quem queira provar o contrário, mas esses, normalmente, terminam o campeonato com menos pontos. Jesus não foi mais longe nas competições europeias porque sabia que não podia. Fez uma opção e deixou-se de ilusões. Esse realismo e esse pragmatismo deram ao SLB a vitória no campeonato. Muitos dos que gozaram com o Benfica por não ter ido além da fase de grupos na Champions, não foram a lado nenhum.

Lopatego
O treinador do F. C. Porto é arrogante. Julga-se muito culto e superior a tudo e todos. Julga-se superior aos seus colegas, aos seus jogadores e aos jornalistas. Mas não é. Tinha o melhor plantel do campeonato e perdeu. Aliás, Lopatego foi capaz de perder tudo. Tolapego tinha bons jogadores, mas nunca teve uma equipa equilibrada, pode ser um chefe, mas não é um líder. Palotego destruiu a influência de Quaresma no plantel e quando se apercebeu do erro já era tarde de mais. Aliás, Lotepago nunca admitiu que tinha errado e não foi capaz de dar os parabéns ao Benfica nem a Jesus… uma lástima este basco. Como treinador e como pessoa. Não resta este ano, aos adeptos do FCP, outra solução que não seja invocarem os títulos do passado. Atenção que o passado começa a ficar distante.

O Bruno e o Marco
Os sportinguistas andam a queixar-se das arbitragens. Há décadas. Os únicos anos em que não se queixam das arbitragens e não fazem umas patéticas tabelas classificativas com supostas classificações corrigidas dos erros de arbitragem são aqueles anos, poucos, em que ganham. Nunca reconhecem a vitória dos adversários o que é chato porque quase nunca conseguem ganhar. Aliás, ainda ontem vi uma tabela dessas, mas não estavam lá os dois pontos que foram sonegados ao SLB frente ao Guimarães por golo mal anulado. Não interessa! Tinham um bom treinador. Sim, tinham. Nenhum homem são da cabeça quer conviver com um presidente que abre frentes de batalha todos os dias, incluindo as internas, em que se ocupou a denegrir a imagem de grandes sportinguistas. Bruno de Carvalho geriu mal a época. Ponto. Esse foi o verdadeiro problema do SCP. O problema do SCP é interno! Têm excelentes jogadores, muito jovens, que precisam ser ensinados e não processados quando um jogo corre mal. Ainda não foi desta e não sei quando voltará a ser.

Colinho
O verdadeiro colinho foi correr mais do que os outros, foi ganhar mais do que os outros, foi sofrer em silêncio para gritar agora de exuberante alegria. O verdadeiro colinho foram casas com 60000 espetadores frente a equipas como o Estoril e o Penafiel. O verdadeiro colinho foi uma massa adepta incomparável em número e entusiasmo. Houve jogos em que os árbitros erraram favorecendo o Benfica, mas também os houve em que o prejudicaram, como ontem, por exemplo. E não esquecer, aqueles que acusam o SLB de colinho, que este foi o campeonato dos penaltis não assinalados contra o Porto e dos golos fora de jogo do Sporting. As equipas com maior dimensão são sempre beneficiadas, e não deviam ser, mas os árbitros não definiram este campeonato. Foi a competência da equipa benfiquista que o definiu. E o Glorioso não ganhou o campeonato porque o Porto empatou com o Belenenses. O Benfica ganhou o campeonato porque tem mais pontos ao cabo de 33 jornadas.

E agora?
Agora vamos disputar com brio e respeito pelo adversário a final da Taça da Liga e para o ano cá nos encontramos. Outra vez com mudanças, com alegrias, com tristezas e sempre com a mesma paixão. A paixão benfiquista! Estive mesmo para não escrever esta crónica, mas estou em trabalho em Nampula, no norte de Moçambique e, há pouco, cruzei-me nos corredores do hotel com um senhor muçulmano, com o seu traje típico, aquela ‘túnica’ cujo nome é thoubh ou jalabiyah, por cima do qual envergava uma t-shirt do Benfica com um enorme 34 no centro do emblema. Não me contive. Se neste fim de mundo para a geografia da minha vida, ainda havia filas de carros a buzinar às 23h, 22h de Portugal, então eu também posso amanhar umas linhas de celebração provocatória.

Benfiiiica!

jpv


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Vermelho Direto – O Ouro da Bola

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Capa do jornal A Bola de 13 de janeiro de 2015 (o destaque é nosso).

Vermelho Direto – O Ouro da Bola

Esta crónica não é sobre futebol. Não é sobre a bola de ouro. É sobre o ouro da bola.

Se fosse sobre futebol, seria uma qualquer análise acerca do atual momento futebolístico, mas isso arruma-se em três penachadas. Penachada Primeira: toda a gente merecia ir em primeiro, mas quem vai é o SLB. Ou seja, mais do mesmo. No campo, que é bom, perdem pontos. Nos jornais e nas redes sociais são os campeões da conversa da treta. Penachada Segunda: A taça, ou vai para o SCP ou para o SCB. Ou seja, este ano o troféu será entregue a um daqueles clubes que, briosamente, costuma ser o primeiro ou o segundo dos últimos. Penachada Terceira: A taça da liga é uma incógnita e a Europa não vai dar em nada. Antes desse.

Se fosse sobre a bola de ouro, seria um corropio de elogios ao CR7, que muito admiro na sua profissão. Leva tudo a sério, prepara-se como ninguém, é ambicioso, mas mantém a humildade dos nobres. Eu penso que não se deve cair na tentação de comparar o CR7 com Messi. São universos diferentes, matérias diferentes. CR7 é todo profissionalismo. Messi é mais circo e vedetismo.

A crónica de hoje é sobre o ouro da bola. Essa filigrana de valores tantas vezes esquecida. Por baixo da merecidíssima primeira página que o jornal A Bola dedicou à conquista de CR7, surge, em letras pequeninas, uma notícia sem importância quase nenhuma para quase toda a gente, mas que mudará a vida de milhares de crianças. A Fundação Benfica vai construir em Cabo Verde, terra recentemente assolada pela catástrofe natural, uma escola com capacidade para 600 crianças! Há os que dizem que ganham tudo, há os que dizem que mereciam ter ganho tudo, há os que dizem que têm as melhores equipas, há os que dizem que formam os melhores jogadores, e depois há o Benfica. No meio de todas as competições, atingido, como todos, pelas condições financeiras débeis da conjuntura mundial, o SLB consegue olhar para o lado e desempenhar um trabalho humanitário, solidário, em prol do futuro dos jovens a quem o futuro parece não sorrir, e dedicar-se a uma causa tão nobre que, essa sim, merecia primeira página. Mas não teve. E nós, benfiquistas, não nos incomodamos nada com isso. A história do SLB não é feita só de primeiras páginas. É feita da nobreza das páginas todas. Obrigado Benfica!

jpv


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Vermelho Direto – O Tribunal do Bruno

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Vermelho Direto – O Tribunal do Bruno

Será que o Presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, vai colocar-se a si próprio em tribunal? Devia! Utilizando o seu próprio critério de ‘contratações duvidosas’ e se quiser ser coerente, Bruno de Carvalho tem de sentar-se no banco dos réus por gestão danosa. O Sporting perde prestígio desportivo, joga mal, não concretiza, e, com meras quatro jornadas volvidas, começa a ver a promessa do título a esfumar-se muito antes do tradicional Natal!

Nós, benfiquistas, e qualquer português que goste de futebol, queremos um Sporting forte, que dê luta e dignifique uma instituição que já tantas alegrias deu aos seus adeptos e aos portugueses. Acontece que, como escrevi na última crónica, o Sporting está fraco e a razão é óbvia. Tem um plantel paupérrimo. Não tem um único jogador de dimensão internacional e não tem um único jogador que faça a diferença. Slimani joga na seleção da terra dele porque lá na terra dele só há dois avançados e o outro está lesionado. William Carvalho é uma excelente promessa de um excelente jogador que faz excelentes passes para trás e para o lado. Tal como o André Gomes e o André Almeida , para não dizerem os leitores que sou um benfiquista faccioso, o William Carvalho só vai à Seleção porque, como diz o CR7, e bem, em Portugal é difícil encontrar jogadores de topo. O Esgaio é bom para o Paços de Ferreira, o Jefferson é medíocre, o Nani morreu, o Capel só tem um pé, etc, etc, etc… Acusou-se o Belenenses de só jogar à defesa e fazer anti-jogo. É o que fazem todas as equipas modestas quando vão a Alvalade, às Antas ou à Luz. O Sporting, o Porto e o Benfica têm a obrigação de contrariar isso e ontem os leões não contrariaram. O Sporting não ganhou ontem porque não tem equipa para ganhar ao Belenenses. A qualidade dos jogadores vai de má a muito má. E ponto. Ora, enquanto o seu presidente ataca os árbitros, os adversários, o sistema e promete salvar o futebol português de si  mesmo, esquece-se de dirigir o Sporting que é a única coisa para que foi eleito e atira-se à lama do rídiculo quando contrata japoneses duvidosos e coloca cláusulas de sessenta milhões de euros (!!!). É preciso que o Sporting esteja à altura da grande instituição que grandes presidentes construíram.

O Benfica percebeu que não tinha banco e que a equipa estava curta e entretanto reforçou-se. Nada de extraordinário, mas o suficiente para esconder algumas carências. Na sexta-feira fez uma exibição medíocre que só foi disfarçada por via de um adversário muito fraco e  pela inspiração do Talisca que não é nada um grande jogador. É um tipo desajeitado e de morfologia pouco adequada àquela posição. Foi um resultado enganador. Ainda não se viu o coletivo. Acontece que, ao contrário dos adversários da segunda circular, no plantel do Glorioso há uns moços, como o Salvio, que, de repente tiram golaços da cartola e determinam o curso de um jogo. Este Benfica ainda tem muito para crescer e é importante que os árbitros não errem a favor do SLB como aconteceu na sexta-feira com o fora-de-jogo mal assinalado a um avançado o Setúbal para se perceber qual é a capacidade que a equipa tem de reagir a uma adversidade. A verdade é que, na semana passada, a jogar com o debilitado Sporting, quando o guarda-redes, num erro inadmissível, ofereceu o empate ao adversário, a equipa dominou, poderia ter goleado, mas não marcou. E o resto é história. E é uma história que anuncia uma campanha europeia carregada de desilusões. Este nosso Benfica ainda tem capacidade para lutar pelos títulos internos, mas não tem qualquer capacidade de resposta nas competições europeias.

Quem se ri disto tudo é a solidez do futebol musculado do Porto que, ao contrário do que se anseia ali para os lados da segunda circular, hoje não vai perder pontos. E, se perder, isso são muito más notícias para o Sporting. Significa que vai ter no Guimarães um adversário à altura na luta pelo terceiro lugar do campeonato.

E qual é a importância disto tudo? Nenhuma. Futebol não é assunto, é distração.

Tenho dito!

jpv


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Vermelho Direto – Quem Ganhou o Dérbi?

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Vermelho Direto – Quem Ganhou o Dérbi?

A meu ver, quem ganhou o Benfica – Sporting desta noite foi o F.C. do Porto. E nem sequer faço esta referência porque o Porto ganhou tranquilamente ao Moreirense e ficou à frente na classificação. Faço-a porque é, nesta fase, a equipa mais bem preparada, que joga melhor futebol e que tem mais recursos. Se o panorama não se alterar, o Porto será campeão tranquilamente.

O Sporting continua fraco. É a pior das três equipas. Joga muito pouquinho, não obstante estar muito bem organizada. Esta noite, empatou sem ter construído um único golo. Limitou-se a aproveitar um erro indesculpável do guarda-redes benfiquista que está a precisar de descanso e… um par de patins. A equipa promete e até tem soluções, mas não é incisiva nem tem maturidade. E, ao contrário da maioria dos adeptos de futebol, eu não penso que o Nani tenha sido uma boa aquisição. Veio tirar a oportunidade a verdadeiros bons jogadores como o Mané, por exemplo, além de ser um jogador já muito lento e previsível. Se o jovem William Carvalho for transferido até amanhã à noite, o Sporting torna-se uma equipa vulgar.

O Benfica tem uma boa estrutura e ainda conserva bons jogadores. Os suficientes para jogar francamente melhor que o Sporting. Contudo, se a venda de jogadores se consegue disfarçar em campo, ela é confrangedoramente visível no banco de suplentes. Esta noite, Jorge Jesus fez uma substituição aos 86 minutos. Não é que não quisesse fazer outras, mas não tinha lá ninguém. E é por aí que a época nos pode correr mal. A verdade é que sem banco de suplentes e com a possibilidade ainda bem provável de Enzo ser transferido, o Glorioso fica sem argumentos para discutir qualquer título.

O jogo foi muito equilibrado e o resultado aceita-se embora só o Benfica tenha procurado ganhar. O árbitro esteve bem. Penso que se equivocou na jogada em que mostrou cartão amarelo ao Maxi Pereira. Nessa jogada deveria ter expulsado o jogador do Sporting por agressão. A fama e, em muitos casos, o proveito do Maxi, hoje, custaram-lhe caro. Em todo o caso, não era fácil ver o movimento do jogador do Sporting. Jogo morno, num início de temporada também a meio gás.

Tenho dito!

jpv


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Retrato da Festa

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Retrato da Festa

A festa benfiquista em Maputo teve centenas de adeptos em animada confraternização. Um jantar de excelente qualidade, digno de campeões, música, variedades, leilões para todos os gostos e, o mais importante, muita animação, muitos amigos e um clima de cumplicidade e comunhão benfiquista.

Depois de um sábado extenuante, repleto de trabalho, de papéis, de burocracia, este foi o melhor lenitivo!

SLB para sempre!

jpv


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Crónicas de Maledicência – O Fracasso da Copa

Fifa, Copa, Brasil, 2014, Portugal, JesusCrónicas de Maledicência – O Fracasso da Copa

Não tenho, neste momento, quaisquer dúvidas. A Copa Brasil 2014 vai ser um fracasso. Só o hoje o descobri, mas temo que a descoberta seja incontornável.

Como vai sendo hábito desde que me conheço, ainda que com parcimoniosas exceções, hoje acordei de manhã. E acordei ao som do despertador. Tenho um daqueles que, quando desperta, dá música. Ou melhor, daria. A verdade é que a minha mulher, vá-se lá saber porquê, prefere acordar com notícias. Eu acho aquilo um hábito um pouco sado-maso, uma espécie de bondage do acordar, funciona, mas é violento.

E hoje as notícias que me roubaram aos braços de Morfeu eram sobre o quê? As eleições europeias e o assalto da extrema-direita ao poder por via democrática? Não. Pouco interessante. Sobre os concursos de docentes em Portugal? Na… Sobre a saída limpa ou a retoma da economia nacional ou europeia? Na… Sobre os problemas que assolam as comunidades lusófonas em África como, por exemplo, a fome? Na… Sobre as eleições na Guiné? Na… Tudo matéria de somenos quando comparada com o verdadeiro motivo de notícia com que o dia acordou: o futuro de Jesus!

Eu, por acaso e ignorância, pensei que o futuro de Jesus estava traçado e consistia em ficar ao lado de Deus num cadeirão dourado com um estofo macio em veludo encarnado. Enganei-me. O futuro de Jesus também é encarnado e também é num estofo macio, mas será no banco reservado ao treinador do Benfica. A malta do Rio Ave e do Sporting e do Porto não deve ter gostado nada da ideia porque o Jesus já esteve este ano nesse banco e ganhou tudo. É um alambazado que não deixa nada para os outros. Eu que sou benfiquista também não gostei. Então a Seleção tem um compromisso tão importante como a Copa do Mundo e a gente não manda para lá o Jesus? Vai o Paulo Bento? Que eu saiba o Bento não passou de Papa.

A Copa não terá o mesmo brilho. Não terá o mesmo glamour. Não terá a mesma ciência nem a mesma filosofia e, de certo, não terá a mesma arte. Estará votada ao fracasso, portanto!  Quem é que vai dizer peaners e acardito? Quem é que vai dizer a gente temos? Quem é que vai citar Pascal e fazer perguntas de filosofia aos jornalistas? Quem é que vai comparar a mui nobre arte de treinar jogadores de bola à pintura de Paula Rego? Quem? Sim, quem é que no espectro internacional tem estaleca para dar um espetáculo dentro do outro com a originalidade, sempre renovada, se Jorge Jesus? Ah pois é… ninguém!

A organização da Copa 2014, se andasse com juízo, inventava mais uma vaga para um país que tivesse ficado de fora por uma nesga e pagava para o Jesus treinar os maganos. E aí sim, toda gente ficava a ganhar. Eu dantes pensava que o futebol era interessante por causa da bola, das balizas, dos jogadores… andava enganadinho. A bola tem muito mais interesse com o Jesus no espetáculo e é por isso que eu não vou ligar nenhuma a esta Copa! Sem Jesus, não vale a pena. Já fracassou!

Tenho Dito!
jpv


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Vermelho Direto – Duas Épocas de Sonho

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Vermelho Direto – Duas Épocas de Sonho

Ao contrário da maioria, eu não acho que o Benfica tenha feito uma época de sonho. Penso, e já escrevi, que o Benfica fez duas épocas de sonho. A do ano passado e aquela que terminou hoje. O ano passado não se trouxeram os troféus para a Luz, mas ganharam-se quase todos os jogos e os adeptos passaram o ano em festa. Este ano foi tudo isso mais os três troféus numa sequência inédita! E ainda com direito a fazer uma perninha bem digna nas competições europeias estando em duas finais consecutivas.

Todos aqueles que o ano passado gozaram com o Glorioso e fizeram aquelas piadas dos melões e aquele gozo do quase e do ajoelhar, este ano tiveram de engolir os melões todos e da pior forma. Ficaram todos longe do quase e todos ajoelharam para que se erguesse, em triunfo, a nação benfiquista! É que não só o Benfica ganhou os troféus como derrotou os seus mais diretos adversários em todas as competições. No campeonato, ganhou ao Porto quando foi preciso e fê-lo de forma inequívoca. Empatou em Alvalade e ganhou de forma arrasadora ao Sporting na Luz, naquela que foi uma das piores exibições dos leões na temporada. Por causa da falta do William Carvalho? Claro que sim, mas os grandes clubes, aqueles que conquistam títulos, têm plantéis para a época inteira e não vergam às primeiras contrariedades. Na Taça da Liga, O Benfica eliminou o Porto nas Antas! Na Taça de Portugal eliminou o Sporting, depois o Porto e por fim ganhou à segunda melhor equipa deste ano a jogar em Portugal: o Rio Ave. O Benfica aprendeu. E fez das derrotas vitórias. Mas em bom. Se o ano passado tinha discutido até ao fim três competições, este ano discutiu quatro e dessas ganhou três. Não houve, em Portugal, um rival à altura. Soçobraram perante a superioridade do SLB. E, na Liga Europa, é verdade que não trouxe a Taça, mas saiu da competição sem perder um único jogo!

O Benfica foi a melhor equipa portuguesa logo seguido do Rio Ave e, depois, do Sporting que parece querer reerguer-se e nós, benfiquistas, queremos que o faça porque preferimos ganhar ao Sporting quando está bem do que quando se encontra envolto em problemas. No reino do leão, de resto, a época foi fraquinha, à exceção de dois aspetos relevantes: a construção de uma equipa jovem e com futuro e o regresso às competições europeias, que se saúda. As deceções foram, sem sombra de dúvida, três. O Sporting de Braga, o Porto e… o primeiro treinador do Porto, esta temporada, Paulo Fonseca.

E porque a memória não pode ser curta, uma breve palavra para Paulo Fonseca. O ano passado, após a vitória do Porto sobre o Benfica na penúltima jornada, o campeonato não ficou logo entregue. O Porto precisava de ganhar a um surpreendente Paços de Ferreira que tinha garantido a participação na Liga dos Campeões com um inédito 3º lugar no campeonato nacional. Logo, a deslocação do Porto a Paços de Ferreira seria difícil. Se houvesse dignidade e honestidade por parte de ambas as equipas. Mas não houve. O Paços foi macio, não defendeu, não atacou, ofereceu a vitória ao FCP de mão beijada que nem teve de esforçar-se muito. Bastou marcar um penalti inexistente sem que os jogadores do Paços reclamassem. No fim do jogo, estranhou-se que o treinador do Porto, Vítor Pereira, beijasse e abraçasse o treinador do Paços: Paulo Ferreira. O mesmo Paulo Ferreira que dias depois foi anunciado como novo treinador dos azuis e brancos. Pode ser tudo uma carrada de coincidências, mas porque se daria Deus Nosso Senhor, que tem mais o que fazer, ao trabalho de humilhar Paulo Fonseca se tudo tivesse sido uma inocente coincidência? Como diz o Povo: cá se fazem…

Por fim, enaltecer o trabalho do presidente do Benfica e do seu treinador, Jorge Jesus. O tal que dá pontapés na gramática e acardita sempre! E foi de tanto acarditar que conseguiu a proeza inédita de limpar os três troféus internos no mesmo ano.

 E agora que a segunda época de sonho consecutiva acabou, a nação benfiquista pode descansar e usufruir. Para o ano há mais. Que ganhe o melhor. Este ano, o melhor, equipou de águia ao peito!

Tenho dito!
jpv