Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Acordar Ausente

toque

Acordar a teu lado
E beijar a tua face.
Olhar o teu sono,
Esperar que o momento não passe.
Acordar o veludo da tua pele,
Ajeitar-te os cabelos em desalinho.
Amar-te a noite toda
E acordar sozinho.
Esperar pela manhã
Para ver-te sorrir
Irradiando encanto e deferência.
Sentir os lençóis frios
E não perceber
A crueldade desta ciência.

Não é a tua distância que me dói.
É a tua ausência.
Não é o silêncio que me corrói,
É a certeza de não estares aqui,
Onde te quero
E desejo,
Onde possa tocar
O que sinto e vejo
E onde sejas minha
Para sempre.
Nenhum corpo
É um corpo
Se não estiver presente.

Vem de mansinho…
Vem devagarinho…
Saciar minha fome
De ti.
Vem deixar-me ajoelhar
E tomar para mim
Teu seio
E teu sexo.
Inaugura teu corpo
No meu
E desenha a carícia.
Rompe teu ímpeto em mim
Sem regras nem fronteiras.
E quando a noite se fizer longa
E teu cheiro de jasmim
Morar na minha pele,
Quando as aves acordarem
E derem vivas ao dia,
Encosta teu corpo ao meu
E adormece.
Meus lábios saberão,
De novo,
Beijar a tua face.

jpv

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Ao de Leve

c521c-silence

Ao de Leve

Quando me tocaste
Assim, ao de leve,
Assim como quem tenteia e atreve,
Suspendeste minh’alma.
E por um fugaz segundo,
E breve,
Julguei ser tudo possível de novo.
Esse gesto inconsequente
Traz-me suspenso
Dos dias.
Traz-me perdido e ausente
De mim.
Mergulhado em sonhos e fantasias
Como quem renasce
E vive outra vez.
Como quem morre e se reúne
Como coisa que se não desune
Nem desliga
Do entusiasmo
E da volúpia.
Arranhaste-me a imaginação,
Deste culpa ao meu perdão,
Açúcar ao meu vinho ébrio,
Fogo à minha lenha…
E assim, como quem desenha
Ilusões e esperança
Tocaste ao de leve
E retomámos a dança
Da sedução.
Dois corpos vencidos,
Um do outro,
Jazem pelo chão…
Dos afetos.
Não foi fulgor,
Pequena chama acesa,
Suave e dócil empresa
A tentar-me os sentidos…

E como vieste,
Te fizeste distância
E frio
De um sorriso
Esvanecido.
De nós,
Só já existo eu
E a ideia de ti.
Tu foste viver
Outras vidas.
Eu…
Morri.
E nada disto é trágico
Nem doloroso.
Foi só uma chama,
Um roçar de pele
Em instante fugaz e breve.
A tua mão em mim
Tocando ao de leve.

jpv