Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


Deixe um comentário

Bob Dylan

bob-dylan

Não oiço, já,
A voz rouca
E evocativa
Do Bob Dylan.
Deixei de cruzar-me
Com os seus versos.
Sobram, em meus dias,
Sons amargos e dispersos,
Primitivas melodias
De meus erros
E meus pecados.

Quando o ouvia cantar,
Como se fosse
O único gesto possível,
Like a rolling stone…
Acreditava nas palavras.
Na dor,
Na ironia,
E na verdade
Que vinha com elas.
Havia, afinal,
Músicas paralelas,
Havia outros versos,
Outros poemas,
Muitos intérpretes,
E temas
De surpresa
E traição.

Já não oiço Bob Dylan…
Perdi-me a meio da canção.
Desconheço o destino
E a condição
Do que vim a ser para ti.
Talvez o fim…

Hey, Mr Tambourine man, play a song for me…

jpv

Anúncios


Deixe um comentário

Versos Imperfeitos

sensual

São pobres, os meus versos,
Fracos e dispersos,
Repetindo meu desejo
E meu amor.
São imperfeitas, as minhas rimas,
Faltam-lhe sonoridades finas
Cantando tua figura,
Nosso despudor.
É desajeitada, a minha poesia,
Falta-lhe génio e fantasia
Desenhando nossos corpos
Em desatino e suor.

Mas, meu amor,
Para que servem os versos
Senão para cantar-te?
Para quê as rimas
Senão para amar-te?
E para quê a poesia
Senão para inaugurar-te
O desejo e o desalinho?
Sem as palavras
Sou um homem sozinho,
Sem a imperfeição
Destes versos,
Não há perfeição
Que me satisfaça.

É a ti que canto!
És minh’ alma
E meu espanto,
Minha ousadia
E meu encanto.
E se não servirem
Estes versos
Para gritar o desejo e o prazer,
Mais vale fechar os olhos
E morrer.

jpv